Tempo Real

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Outro golaço de Liedson! E a volta de Valdívia...

Liedson fez mais um gol com a camisa do Corinthians. Desta vez, um golaço: lançado por Ralf, entrou em grande velocidade e, com um totozinho, encobriu o goleiro do Santos. Agora, já cinco gols em quatro jogos, média superior a um gol por jogo, o que chega a ser notável para um atacante que ficou tanto tempo no futebol português.

Se perguntarem quem, longo dos tempos, foi o melhor centroavante brasileiro, eu responderia Ronaldo. E Liedson, nem constaria da lista dos dez mais. Mas como o futebol é momento e cheio de ironias, eu diria que agora (favor não confundir), o ataque do Corinthians está mais perigoso e veloz do que vinha senso nos últimos tempos com Ronaldo Fenômeno.

Nesta tarde de domingo em que houve homenagem a Ronaldo e na qual o Corinthians venceu o clássico com o Santos por 3 a 1 (dois gols de Fábio Santos- um de falta e outro de pênalti- mais o de Liedson para o Corinthians; gol de Elano para o Santos, aliás, um belo gol), o astro Neymar foi pouco notado em campo. Deve estar precisando de um descanso, pois como diz o técnico Adílson Batista “ele é homem, não é máquina”.

E, no fim das contas, para o Corinthians que foi mais ofensivo, restou, mais uma vez, a curiosidade: quantos gols fará esse Liedson, que dificilmente passa um jogo sem estufar as redes?

VALDÍVIA VOLTOU. E COMO?

Creio que voltou só para ganhar ritmo de jogo, seguindo o script de sua recuperação total: nos lances em que o vi em ação, mostrou empenho, força de vontade e, o que é o principal, não colocou a mão na coxa esquerda, naquele gesto que sinalizava contusão. Jogadas brilhantes? Não aconteceram. Só uma tentativa aqui, um passe de calcanhar ali, mas acho que é só uma questão de tempo. Por enquanto, Valdívia jogou apenas 62 minutos contra o Mogi.

Quanto ao resultado do jogo, esse zero a zero com o Mogi Mirim, não é façanha para se comemorar nem para lamentar, O Palmeiras continua líder, mas também seu jogo ainda não convenceu. E revelou mais uma vez- e isso o próprio Gladiador reconheceu ao final do jogo- que necessita urgentemente de um centroavante, até para Kleber poder voltar à sua posição verdadeira.

Debate sobre a TV do Brasileiro se resume ao preço?

"Não importa se vem do Jardim Botânico ou da igreja. Leva quem der o maior cheque". A pérola é de Alexandre Kalil, presidente do Atlético-MG e revela um pouco do pensamento tacanho que toma conta dos dirigentes do futebol brasileiro na discussão sobre os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de futebol para o triênio 2012-2014.

Na visão apequenada do presidente do Galo, o que determina quem é o melhor parceiro comercial dos clubes é o dinheiro, nada além disso.

Nada que surpreenda, vindo de um dirigente que prega que o marketing representa apenas custo para um clube, não tendo qualquer utilidade além disso. Mas a frase de Kalil preocupa, principalmente, porque a ganância dos dirigentes tem feito com que o futebol brasileiro deixe de pensar no longo prazo para agir apenas no curto espaço de tempo, o que enfraquece a própria instituição.

Ao se balizar apenas pelo preço que é pago, os clubes colocam em segundo plano alguns detalhes importantes para o fortalecimento de seu produto no longo prazo. Não é só quem paga mais que vale mais. Não é o cheque que determina o valor de uma oferta. Ou pelo menos não deveria ser.

Nos anos 80, o Comitê Olímpico Internacional (COI) decidiu mudar radicalmente a imagem que as pessoas tinham dos Jogos Olímpicos. Para isso, apostou numa estratégia interessante de negociação do seu principal evento. Não era o preço que determinava qual emissora exibiria a competição, mas sim o engajamento dela com o evento e, principalmente, o alcance que ela teria no seu país. A lógica do comitê com essa decisão era fazer com que, com mais gente assistindo a seu evento, mais importante ele passaria a ser no longo prazo. E, aí, mais dinheiro o COI ganharia com a negociação não apenas da transmissão do torneio, mas também de patrocinadores e consumidores.

No futebol, a Fifa também buscou na Copa do Mundo de 2010 uma parceria comercial com a Sony que não foi baseada meramente no dinheiro. Com a fabricante japonesa, ficou estabelecido que além de pagar para ser patrocinadora da entidade, ela investiria na tecnologia necessária para transmitir 25 dos 64 jogos da competição em 3D. O retorno de imagem da Fifa com isso foi gigantesco, tanto que ela ganhou prêmio pela inovação no evento esportivo.

A concorrência que busca apenas o melhor preço domina, hoje, a gestão pública brasileira. Não se pensa na melhor entrega de produto, mas apenas naquilo que aparentemente gere mais dinheiro ou reduza mais custo para o cofre público. Não se faz nada pensando em melhor produto, em entrega mais eficiente e em melhor promoção daquilo que é feito.

É essa mentalidade que domina agora não apenas Alexandre Kalil, mas a maioria dos dirigentes dos clubes de futebol.

Recentemente, o Campeonato Catarinense de futebol optou por trocar de emissora, baseando-se na oferta financeiramente mais vantajosa e na promessa de que o jogo disputado nas noites de meio de semana começariam às 20h. Oferta aceita, começou o torneio e percebeu-se que a Record, que havia vencido a concorrência, não tinha retransmissora no interior do estado, limitando as transmissões à cidade de Florianópolis...

Nada contra a Record ou a favor da Globo. Mas, se quiserem pensar no longo prazo, os clubes têm de olhar muito mais do que o preço. Independentemente de qual é o cheque, o importante é saber quem é o parceiro e o que ele tem a oferecer. Essa é a melhor oferta possível para os clubes, que precisam ao mesmo tempo exigir isso de seu parceiro.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

O melhor Ataque brasileiro de todos os tempos. Escale o seu.

A despedida de Ronaldo trouxe à tona o histórico de sua carreira e uma série de comparações sobre quem foi melhor, este ou aquele. Futebol é matéria opinativa e de época. E então, vamos escalar o melhor ataque brasileiro de todos os tempos? Não custa opinar um pouco sobre preferências.

É claro que leva vantagem os que foram vistos jogar. Mas vamos lá. Dos que vi jogar, meu ataque seria: Mané Garrincha, Ronaldo Fenômeno, Pelé e Romário. E já explico o porque de Romário mais para a esquerda, dando-me ao direito de escalar quatro atacantes, fórmula marcante de golear.

Bem, pela direita, o Anjo das Pernas Tortas, Mané Garrincha, o Charlie Chaplin de nosso futebol, pois brincava de driblar e, com isso, ganhou praticamente sozinho a Copa de 1962, no Chile quando já vinha o desânimo pela contusão de Pelé.

Mais para o meio, embora jamais tenha sido um centroavante fixo na área, escalo Ronaldo Fenômeno, impressionante em suas arrancadas, com dribles em velocidade.

Pelé nem precisa de explicação. Era perfeito em todos os fundamentos.

E Romário, nem tanto por gostar de usar a camisa 11 e mais pela velocidade que espantava os inimigos, bem que poderia ser deslocado mais pela esquerda.

Esse é o meu ataque brasileiro de todos os tempos.

E o seu, amigo, qual é?

A TV virou a desculpa para o C13 rachar de vez

Vai rachar. Pelo menos é isso que aparentemente se mostra no cenário de discussão dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro para o triênio 2012-2014. Hoje, porém, esse racha parece mesmo ser para valer, diferentemente daqueles movimentos que desde 2004 acontecem dentro do C13.

Mas, por trás da questão da TV, está mesmo a questão política da entidade que, teoricamente, representa o interesse dos clubes do futebol brasileiro. Como já falei aqui no blog no ano passado, quando as eleições para a presidência do C13 quase terminaram com o fim da Era Fábio Koff, o problema todo é que não há um projeto para a gestão do futebol por parte dos clubes. O C13 não é independente, não atua apenas pensando na melhoria da situação dos clubes, não funciona como uma liga de fato.

Nos EUA, as ligas são empresas que têm os clubes como sócios e que, por causa disso, precisam dar lucro. A divisão do bolo de dinheiro arrecadado é feita de forma a todos terem o melhor nível de igualdade financeira para, então, aquele que for mais competente na esfera esportiva se sobressair. A lógica da meritocracia americana dita o funcionamento do esporte, tanto que o draft, que escolhe os melhores jogadores jovens para os times profissionais, ocorre de maneira inversa. Quem tem pior desempenho tem direito a ficar com o melhor jogador em seu time.

No futebol, em todo o mundo, a constituição do esporte é baseada, meramente, na força política das instituições. Ganha mais quem manda mais é a lógica que permeia a maioria das decisões do futebol.

O que acontece agora no Clube dos 13 é a essência dessa maneira de existir do futebol. A TV virou a desculpa para uma queda de braço política. Os dirigentes dos clubes não estão pensando com a cabeça no negócio. Não se debate o que vai gerar maior receita para os clubes no longo prazo. No discurso, porém, usa-se isso como argumento para um clube pender para um lado ou para o outro, mas não é a cabeça no negócio que determina o caminho a ser tomado.

Não tem como a comissão do C13 que discute as propostas das TVs ficar à parte da disputa política. Por mais que se tente chegar a uma definição tecnicamente melhor, a assinatura que vale é a do presidente do clube. E, como o dirigente tem de seguir a lógica do "pode mais quem manda mais", o impasse está criado.

Parece que agora o C13 racha de vez. E fica cada vez mais claro que o grande prejudicado, nisso tudo, será o futebol. A queda de braço política muito provavelmente vai culminar numa decisão inicial de intransigência de alguns clubes em assinar o acordo de TV. E isso deverá fazer com que, a princípio, nenhuma emissora esteja credenciada legalmente para transmitir a competição.

Enquanto os dirigentes acham maravilhoso elevar para quase R$ 700 milhões o valor recebido por todos os direitos de transmissão do Brasileirão, a NFL, liga mais profissionalizada do mundo, entra em 2012 com cerca de metade das transmissões na TV de um Brasileirão mas com receita de US$ 4 bilhões. Sim, é isso mesmo. Quase dez vezes mais do que o futebol brasileiro arrecada, mas tendo vendido apenas os direitos de transmissão para a televisão, sem contar internet, celular, pay-per-view, que geram alguns outros milhões para os cofres da liga...

A política contamina o negócio. Enquanto o modelo de gestão do futebol não for repensado, discussões vazias continuarão a imperar. E o produto futebol, sem valorização, continuará a achar que o que vale mesmo é ter alguns milhões no bolso sem se preocupar com a qualidade daquilo que se oferece para o público.

Quando certos jogos pelos Estaduais viram uma briga contra o bêbado

Momentos após o vexame do Fluminense, eliminado da Taça Guanabara pelo Boavista, e quatro dias antes do jogo em casa com o Nacional do Uruguai, Fred, ídolo tricolor, concedeu entrevista e disse: "Pelo menos temos um consolo na quarta-feira que é a Libertadores".

Como assim? Quer dizer que o principal torneio do continente, para o qual apenas se classificar já não é nada fácil, vira um mero prêmio de consolação diante do Campeonato Estadual, disputado anualmente pelos clubes? É isso mesmo?

Uma enorme inversão de valores. A realidade é deturpada por conta da supervalorização dos inchados e superestimados torneios domésticos, que já tiveram seus grandes dias. E o mais absurdo é que isso parte de um importante jogador do campeão nacional.

No mesmo dia o Internacional, que assumiu priorizar a Libertadores, da qual é o atual campeão, foi novamente eliminado antes da decisão do turno gaúcho, desta vez pelo Cruzeiro. O resultado? A implosão do chamado "time B", que vinha atuando no certame.

Será que os colorados imaginavam que, ao colocarem reservas e jovens promessas nos lugares dos seus principais e mais caros jogadores, venceriam seus adversários assim mesmo, de forma incontestável? Ora, havia um risco mais do que conhecido.

A decisão do Inter de mandar para o espaço a equipe secundária, que disputava o torneio menos importante, deverá sobrecarregar alguns atletas em determinados momentos. E aí aumenta o perigo na sonhada Libertadores. Qual é o plano, afinal?

É preciso coragem. Qual o dirigente capaz de, após eliminação em uma fase do Estadual, bancar a sua própria estratégia? Vejam o exemplo do Santos, outro que disputa a Libertadores e tem time para vencê-la. Perdeu no Pacaembu para o Corinthians, e...

Fica parecendo que os corintianos é que estão numa boa. Sim, os mesmos que protagonizaram o grande papelão do começo de temporada, sendo eliminados ainda na fase preliminar da Libertadores. Será que os santistas saberão lidar com isso?

Voltemos ao Rio de Janeiro. Depois da eliminação do Fluminense, foi a vez de o Flamengo superar o Botafogo, também nos pênaltis. O time rubro-negro tem grandes estrelas, mas ainda não se acertou. Falta muita coisa, ainda. Mas e se vencer a Taça Guanabara?

Bem, caso Ronaldinho e seus companheiros façam valer o óbvio favoritismo diante do minúsculo Boavista, muitos acreditarão que o Flamengo está em ótimo momento por garantir a vaga na decisão carioca. E aí virá a ilusão. Um risco. E o time tem a luta pela Copa do Brasil.

Campeonato Estadual é assim mesmo, especialmente quando se enfrenta um rival em crise ou um time pequeno. Quem está em competições mais importantes só tem a perder. É como brigar com bêbado. E neste fim de semana três times que estão na Libertadores apanharam.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Cenas do Mercado da Bola

1- Alecsandro será o novo centroavante do Palmeiras? É o que me disseram. Embora a informação não tenha vindo de fonte oficial e do conhecido interesse do Vasco pelo jogador, acredito que isso possa mesmo acabar acontecendo.

Seria uma boa? Bem, melhor do que os centroavantes que o Palmeiras tem- Dinei, machucado, e Tadeu, por exemplo- Alecsandro é. Aliás, viveu bons momentos no Inter e vivia em paz com a torcida. Depois do Mundial de Clubes, na incrível eliminação para o Mazembe, tudo mudou.

Não acho que seja um craque ou jogador de explosão. Mas chuta razoavelmente bem, cabeceia com precisão, tem um certo porte físico para enfrentar os zagueiros dentro da área.

Pelo menos, com ele, Kleber poderá ser o segundo atacante. Como quase sempre foi.

2- Roberto Carlos dará seu adeus ao Corinthians? Tudo indica que sim. Leio que Roberto se diz ameaçado até por telefone e que para viver sob o clima de insegurança, prefere retornar ao Exterior.

Acho estranho tudo isso, pois Roberto Carlos nem jogou a segunda partida diante do Tolima- a que de fato eliminou o Corinthians. De qualquer maneira, já não o vejo como indispensável ao time, pois raras são hoje as arrancadas que ele apresenta- necessárias depois do fim dos pontas-, o que seria pedir muito para um jogador que já não é nenhum menino.

Enfim, seja como for, que esse caso tenha um desfecho feliz.

A ineficácia dos pontuais e da poluição das camisas

Fiz agora há pouco uma brincadeira pelo Twitter. Perguntei quem se lembrava, hoje, quinta-feira, de quantas marcas estiveram presentes nas camisas de Palmeiras e Corinthians no clássico do último domingo. Estipulei um prazo de um minuto para as respostas.

Simplesmente ninguém conseguiu acertar o número de marcas e logotipos envolvidos no clássico. E, claramente, todos estavam “chutando” seus resultados. Ampliei a enquete para quais eram as marcas que apareciam nas camisas. Em cerca de meia hora, foram mais de 20 palpites de pessoas diferentes. Mais uma vez, nenhum acerto.

O resultado não tem qualquer valor científico e está longe de ser encarado como definitivo, mas dá uma boa medida de quão ineficientes são os patrocínios pontuais e a poluição dos uniformes dos clubes.

O dérbi paulistano contou com 12 diferentes logomarcas estampadas nos uniformes dos dois times. Média de seis marcas para cada clube, mas que na proporção ficou com “vitória” do Palmeiras. Foram oito diferentes logotipos na camisa verde e seis na alvinegra. De todas elas, apenas duas eram iguais: a Tim, dentro do número dos times, e a logomarca do dérbi, criada em 2009 pelos dois times para simbolizar o clássico.

A pergunta que fica é simples. Será que as empresas sabem o retorno que estão tendo com esses patrocínios? No clássico, o Palmeiras teve ainda duas marcas que fizeram aportes pontuais (Seara, nas mangas, e Microlins, na parte da frente do calção). São, portanto, símbolos que não continuarão na camisa pelos próximos jogos.

Desde que o Corinthians loteou sua camisa para viabilizar a presença de Ronaldo no time, em 2009, o futebol tem achado que esse é o caminho para os clubes fazerem receita.

Até agora, a estratégia tem dado relativamente bom resultado. Para isso, os clubes usam números fabulosos de exposição em mídia das marcas que dão a entender que é mais barato pagar para patrocinar um time durante um jogo do que criar uma campanha publicitária e veiculá-la na mídia.

Mas qual é o impacto que o patrocínio pontual consegue ter? Ou, ainda, qual o impacto de patrocinar, por exemplo, o número da camisa do jogador?

O retorno de exposição da marca é um dos coeficientes que uma empresa deve levar em conta na hora em que vai patrocinar o esporte. Mas ela também tem de saber que não é só mídia que conta na hora de investir. É preciso ir além, buscar relacionamento com o torcedor, engajamento da marca com o clube e o público, ativar o patrocínio, ter boa exposição da marca, etc.

Enquanto o patrocínio no futebol for encarado só como exposição de marca, continuaremos a ter lindos relatórios de retorno de exposição da marca, mas quase nenhum retorno de lembrança de quem fez parte daquele jogo.

Ou o patrocinador abre os olhos para isso ou terá, em breve, problemas para defender dentro da empresa a manutenção de um patrocínio no esporte.

Roberto Carlos: ¨não quero sair mas¨

Um proposta tentadora do exterior, se confirmada oficialmente ao Corinthians, poderá levar o pentacampeão do mundo.

Eu conversei com Roberto Carlos por telefone e ele me garantiu que não deseja deixar o pq. São Jorge, embora tenha ficado preocupado com a reação da torcida após a eliminação do time na Libertadores. ¨Tenho família, quero tranquilidade¨, reclamou.

¨Já ando com muitos seguranças, não dá para ter mais¨, concluiu o lateral esquerdo.

Na conversa, Roberto Carlos me revelou que amanhã terá uma reunião com o presidente Andrés Sanchez e o procurador para definir o futuro.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

No clássico, Júlio César foi o herói do alívio do Corinthians.

Autor de belas defesas, o goleiro Júlio César, do Corinthians, reconhece que essa atuação diante do Palmeiras (vitória corintiana por 1 a 0, gol de Alessandro) talvez tenha sido a melhor de sua carreira.

E digamos, providencial.

Pois não se sabe a extensão da crise do Corinthians em caso de derrota para o velho rival. Com méritos para Alessandro, é claro, pelo gol marcado aos 38 minutos do segundo tempo ao entrar pelo meio da defesa do Palmeiras, a atuação de Júlio César foi de impressionar: ele defendeu nem sei quantos chutes de Kleber e, no último minuto, ao rebater o arremate do Gladiador cara a cara, Júlio ainda foi acompanhado pela sorte. No rebote, a cabeçada na trave, desvio de um zagueiro e a bola voltando para as mãos do goleiro.

Era a sorte acompanhando a competência.

Não sei se essa vitória diante do Palmeiras servirá para acabar de vez com a dor corintiana pela desclassificação na Libertadores pela Tolima. Servirá, porém, acalmar muito os ânimos e mostrar que há vida além do sonho da Libertadores.

O resultado foi justo? Em termos. Foi um jogo corrido, brigado, suado, mas sem requinte técnico. E no segundo tempo, quando o Palmeiras parecia melhor e atacava mais (daí as defesas de Júlio César), o Corinthians apostou no contra- ataque- e aí surgiu o gol de Alessandro, entrando na área como um meia, de surpresa, fatal.

E o Palmeiras? Permanece líder do Campeonato Paulista, os números dizem, mas não superou o primeiro grande teste. Sente, ainda a falta de um grande centroavante para atuar ao lado de Kleber. E sente também a ausência de um jogador como Valdívia, driblador e criativo.

Aliás, quando é que Valdívia voltará a jogar?

O rúgbi caminha para ser grande

O trocadilho com a campanha da Topper (que continuo achando genial, mas sem concordar com o posicionamento da marca em relação ao esporte que ela patrocina) é inevitável. Afinal, o rúgbi brasileiro parece que, aos poucos, realmente caminha para ser grande. Ou, pelo menos, para colocar o Brasil no mapa de um dos esportes mais populares do planeta e que movimenta muita grana em sua Copa do Mundo.

No final de semana esportivo balofo que acabamos de ter, o rúgbi brasileiro conseguiu a maior proeza da história do continente. Bateu a seleção da Argentina pela primeira vez num jogo de Sul-Americano (até então os Pumas nunca haviam sido derrotados por ninguém na América do Sul) e conseguiu o terceiro lugar inédito na competição.

O bronze no Sul-Americano assegurou a vaga do Brasil nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, no segundo semestre. Foi um feito e tanto de um país que, até pouco tempo atrás, era eterno freguês de Chile, Uruguai e Argentina. E qual a chave para o sucesso? Sem dúvida que a motivação não vem da campanha da Topper. Muito longe disso, apesar de que a presença de um patrocinador de peso é um sintoma de que a coisa vai bem.

Aqui mesmo nesse blog já tinha, há quase um ano e meio, cantado a bola de que o rúgbi parecia querer caminhar para o rumo da boa gestão, algo tão essencial para o desenvolvimento do esporte. Segue o link com a entrevista que fizemos, na Máquina do Esporte, com Eduardo Silveira Mufarrej.

Lá no cada vez mais distante 31 de julho de 2009 ele parecia um apaixonado falando do que esperava para o rúgbi brasileiro. Hoje, além de dar os parabéns a todos os envolvidos nesse feito do rúgbi brasileiro, já dá para falar que dá para acreditar que o rúgbi pode, sim, ainda ser grande no Brasil. Ou, pelo menos, mais respeitado. Clique aqui para ler a entrevista.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O Fiasco do Corinthians, no Adeus à Libertadores.

Não há desculpa que resista à eliminação do Corinthians ainda na fase Pré- Libertadores. Nem o fato de o Tolima, que entrou na disputa como o número 3 da Colômbia, dificilmente perder em casa nesses últimos tempos. Nem as declarações de Ronaldo, depois da derrota por 2 a 0 (gols de Santoya e Medina), citando o campo ruim como razão importantíssima para a derrota que acabou com o sonho da Fiel torcida nesta competição que tanto deseja.

Não foi o campo que eliminou o Corinthians, pois já tinha jogado mal em casa, no Pacaembu, naquele empate sem gols. Foram muitos os erros:

1- O lado esquerdo, com Castán e Fábio Santos, foi um desastre: no primeiro tempo, durante pelo menos 20 minutos, era um verdadeiro convite às investidas do Tolima por aquele setor da defesa corintiana. Um sufoco. Culpa também do técnico Tite, a quem caberia organizar a cobertura necessária.



2- Nenhum poder de armação: Ronaldo, longe de sua melhor forma, servia como pivô. Mas pivô para quem se Dentinho caía para um lado, Jorge Henrique para o outro e ninguém do meio-campo chegava como homem- surpresa? Assim, mais ou menos como fazia Elias. Paulinho não tem esse estilo.





3- No segundo tempo, o Corinthians melhorou um pouquinho porque adiantou a marcação. Se ninguém criava, pelo menos eram cortadas as jogadas colombianas. Mas isso durou pouco. Faltava ao Corinthians aquela personalidade guerreira, que existiu até na Libertadores do ano passado, quando a equipe foi eliminada pelo Flamengo, mas saiu de campo aplaudida.



Agora, sei lá qual será a reação diante da eliminação precoce. Lá se foi o sonho da Libertadores. E com mau futebol. Sei que a dor das derrotas dura menos tempo do que pensa e que, de repente, uma série de vitórias ou um título, coisa assim, é bem capaz de fazer a Fiel vibrar como de costume.

Tudo bem. Mas que o Corinthians é uma incógnita neste ano, ah, isso é. E também o atualmente prestigiado técnico Tite, que teve só essa derrota- mas que derrota! - pode ter o comando ameaçado num insucesso importante.

E logo agora, o Corinthians já enfrenta o Palmeiras- que virou líder do Campeonato Paulista- já no domingo, em seguida à sua eliminação da Libertadores. É claro que a Libertadores era muito mais importante, mas a tradição de um clássico, com a ferida ainda aberta, pode significar muita coisa.



O GRÊMIO FEZ A LIÇÃO DE CASA

Como registro, mais do que justo: apesar do incrível gol perdido por André Lima, com o gol aberto e sem goleiro, o Grêmio fez mais do que o necessário para safar-se desta Pré-Libertadores, ao vencer o uruguaio Liverpool, por 3 a 1. Um empate de zero a zero ou 1 a 1 já lhe bastava, mas, de virada, o Grêmio teve a v vitória como credencial. Ah, para ser justo: André Lima com um belo gol de cabeça- o do empate gremista- redimiu- se da falha incrível de antes.

Melhor para ele.

Planejar é preciso

Acredito que, nesses quase dois anos de blog, esse título já tenha sido usado mais de uma vez. E, agora, é ele que me vem à cabeça no que se refere a mais uma queda corintiana na Copa Santander Libertadores.

A derrota alvinegra está relacionada, diretamente, à falta de planejamento. O Corinthians da Libertadores de 2010 era, nitidamente, mais bem preparado que aquele derrotado na noite desta quarta-feira.

Em qualquer ramo de atividade profissional, planejamento e execução são muitas vezes a chave para o sucesso de uma empresa ou de um trabalho. No futebol, ainda mais atualmente, raras são as vezes em que um time consegue ter sucesso sem planejar a disputa de uma grande competição.

O ano ainda não está perdido para o Corinthians, mas o clube também precisa entender que 2011 já começou. E o que era mais valioso neste ano já virou história.

O problema, agora, será juntar os cacos da eliminação precoce na Libertadores. E, ao mesmo tempo, equilibrar as finanças. O Corinthians já perde em receita de bilheteria e por não jogar mais nenhuma competição internacional no ano. Precisa, também, encontrar um patrocinador para o lugar do Banco Pan-Americano, agora sem o apelo de disputar a Libertadores. Para piorar, é preciso esperar a poeira baixar e ver o que resta de relacionamento do torcedor com os jogadores. Do contrário, nem um bom planejamento salvará o ano alvinegro.

Fiasco inédito

ANDRES SANCHEZ faz história.
Depois de ter levado o Corinthians à segunda divisão nacional, eis que pela primeira vez, em seis participações brasileiras em pré-Libertadores, um time do país, exatamente o que ele comanda, é eliminado do torneio.
Que não se fale, aliás, amanhã, quando o Corinthians voltar a disputar uma Libertadores, que o clube participará pela décima vez da Taça.
Porque, de fato, a nona participação não se materializou, foi abortada, digamos assim, nas eliminatórias, do mesmo modo que na Copa do Mundo a participação que conta mesmo é a de quem chega à fase de grupos.
Palmeiras e Cruzeiro duas vezes; Goiás, Paraná Clube, Santos e Grêmio não passaram pelo vexame que o Corinthians passa neste momento, depois do desastre de Ibagué, que nem sequer tem a sonoridade do Maracanazo, ou do Sarriá e talvez só se compare à de Abu Dhabi, do Mazembe, quando o Inter também obteve o feito inédito de ser o primeiro clube sul-americano a ficar fora de uma final de Mundial de Clubes.
O Corinthians de Sanchez é um sucesso de marketing e um fracasso futebolístico, além de ter virado um clube de patricinhos mais chegados à cafajestagem do que aquele que se orgulhava, com motivos, de suas raízes populares.
Para não ser injusto, a grande marca da gestão Sanchez será um estatuto que proíbe a sua reeleição, o que denota, ao menos, uma certa autocrítica.
O pior é que o ambiente estelar contaminou até jogadores como Jucilei e Dentinho, que enfiaram uma máscara de embrulhar o estômago.
É óbvio que o Corinthians não tem obrigação de ganhar Libertadores e que até sua obsessão é meio sem sentido porque a vida não começa nem acaba na competição continental, embora até o peruano Ramírez já esteja contaminado.
Mas é mais óbvio ainda que o Tolima não poderia entrar para a história centenária do Corinthians como entrou ontem à noite na Colômbia.
E entrou porque mandou em quase todo o primeiro tempo, quando já fez por merecer os 2 a 0 do segundo tempo.
Verdade que o Corinthians começou os 45 minutos finais jogando bem melhor, quando perdeu três boas chances de marcar até tomar, aos 21min, o gol de Santoya.
Que de santo não tem nada, é apenas mais um diabo na descontrolada vida corintiana.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Rivaldo reabre a discussão da ética no futebol

Se tocarmos na ferida, e penso que seja necessário mesmo, Rivaldo não deve ser o único obrigado a adotar o símbolo da ética no futebol.

Na pele de jogador do São Paulo e presidente do Mogi Mirim, o pentacampeão fere o princípio básico das condutas profissionais regidas por algumas regras de moral e de direito. As ligações perigosas na área em que atua, nos leva a analisar o conflito de interesses.

Um olhar crítico em outra direções, no entanto, é obrigatório, na minha visão: jogadores donos de clubes ou empresas que agenciam outros atletas, dirigentes donos de direitos federativos de jogadores, empresas que atuam ao mesmo tempo nas áreas de comunicação, marketing e venda de publicidade estática, jornalistas que fazem assessorias públicas ou veladas nas áreas de atuação ou jornalistas que financiam outros colegas (blogueiros) na surdina para ataques pessoais.

Para pensar com a cabeça no travesseiro e não atirar a primeira pedra em Rivaldo…

Acredite: o Corinthians não venceu o Tolima.

E poderia ter sido pior: aos 25 minutos do primeiro tempo, o veloz colombiano Murillo, lançado nas costas da zaga corintiana- que, em futebol, fazia a chamada linha burra, sem ninguém na sobra-, invadiu a área, driblou o goleiro Júlio César e empurrou a bola para as redes.

Gol do Tolima. Gol? Não, pois foi marcado impedimento. Impedimento que a tevê mostrou que não existia (o tira-teima da Globo apontou posição legal do atacante, 25 centímetros), embora a jogada não fosse tão fácil de ser detectada. Mas foi gol do Tolima, gol legal. Anulado.

É verdade que, no segundo tempo, Ronaldo teve boa chance e o lance também foi anulado por impedimento que não existiu. Mas a oportunidade não era tão clara quanto a de Murillo.

Esse começo foi para confirmar que o Corinthians nem deve lamentar esse empate de 0 a 0 diante do Tolima, num Pacaembu onde predominavam rostos tensos, aflitos e, depois, atônitos. O Corinthians deve é lamentar o seu mau futebol, sem criatividade, sem brilho, por vezes estático. Como jogou mal o Timão! Qual foi a grande defesa do goleiro colombiano?

E o Tolima nada tem de brilhante. É uma equipe que congestiona o meio- campo, que toca razoavelmente bem a bola e tem esse Murillo à frente. Nada que assuste. E não foi violento, nem manhoso e nem catimbeiro. Nada: futebolzinho feijão com arroz.

Péssimo foi o Corinthians, sem elemento surpresa (tipo Elias), sem velocidade pelas laterais, com Ronaldo na função do pivô que jamais foi (seu estilo é outro), sem ligação do meio-campo com o ataque, sem firmeza na defesa.

Nem tudo está perdido. “Não pode é desesperar”, como disse Roberto Carlos, pois apesar de tudo, um empate com gols na Colômbia classificaria o Corinthians. Ou então, como deveria rezar a lógica, uma vitória simples, com um golzinho apenas.

Mas não com o futebol que se viu nesta noite de quarta-feira.



GRÊMIO: UM EMPATE MELHOR

E por quê? Elementar: o Grêmio também empatou, sim, mas por 2 a 2 com o Liverpool, no Uruguai. E fora de casa. Agora para ultrapassar essa fase de Pré- Libertadores, basta empatar por zero a zero ou 1 a 1, em Porto Alegre. Uma situação, na teoria, bem mais cômoda do que do Corinthians.

Os gols foram se sucedendo, dando a impressão de um placar super-elástico no primeiro tempo. André Lima abriu a contagem, Franco empatou para o Liverpool, Douglas colocou o Grêmio na frente, Guevara empatou para os uruguaios.

E parou por aí.

Bom para o Grêmio, que não precisa de muito para seguir em frente.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Gol é com o Santos. E o tropeço do Corinthians.

Qual é o mistério desse Santos que, mesmo desfalcado, está a fazer muitos gols em todos os jogos? Elementar, meu caro amigo: joga no ataque, a descobrir espaços e em função do gol, como se tivesse uma forma, um estilo bem definido, aliás, de acordo com sua histórica vocação de atuar.

Pois foi assim neste domingo, sob o forte calor de Presidente Prudente, desta vez sem Zé Eduardo (que está indo para o futebol italiano), mas com Elano já quase à vontade no reencontro com o antigo clube e Maikon Leite infernizando a defesa inimiga, caindo pela direita e pela esquerda, aos dribles.

E o Santos, pois que gol é com ele mesmo, foi indo 1, 2, 3, 4 (gols de Elano- dois- Keirrison e Maikon Leite), deixando sua marca, permitindo, no entanto que o Grêmio diminuísse com os gols de Rômulo e Douglas. Santos, 4 a 2, com 11 gols em três jogos, muito boa para um começo de temporada.

Fico a pensar como será com Neymar, Diogo e, mais à frente, Paulo Henrique Ganso...



O TROPEÇO DO CORINTHIANS

Ainda outro dia elogiei, neste espaço, a atuação de Roberto Carlos. Neste domingo, porém, no empate diante do Noroeste, no Pacaembu, no empate de 1 a 1, o veterano lateral não esteve bem: foi o maior responsável pelo c ontra-ataque- ao matar a bola de canela, embora longe do gol- que propiciou ao adversário o gol de empate. Gol de Thiago Marin.

Antes, no primeiro tempo, Dentinho abrira a contagem, insinuando que o Corinthians não teria muitas dificuldades para sair vencedor. No entanto, sem determinação ofensiva, não fez por merecer.

Agora, uma pergunta: será que a proximidade do jogo diante do Tolima (25 mil ingressos já vendidos), ainda que inconscientemente não mexeu com a cabeça e os nervos dos jogadores, que poderiam estar preocupados com uma eventual contusão? Afinal, agora é Pré- Libertadores, a obrigação da classificação, coisa e tal. Creio que isso nem os jogadores talvez possam responder.

Um palpitezinho: não creio que o Tolima seja capaz de assustar o Corinthians. Ah, não creio mesmo.

(OBSERVAÇÃO: ainda neste espaço, depois, o jogo do Palmeiras e uma reflexão da Seleção Sub-20, que empatou com a Bolívia em 1 a 1).

Rivaldo e a falta de planejamento do São Paulo

A contratação de Rivaldo pelo São Paulo foi no susto. Certamente enquanto estourava o champanhe na virada do ano, Juvenal Juvêncio nem sonhava que ele seria o camisa dez renomado desejado pelo clube.

Aconteceu a visita do craque ao vestiário tricolor, começaram os comentários, a torcida gostou, a diretoria se empolgou e negócio vingou. Foi como uma bola de neve.

Rivaldo pode dar certo no Morumbi, e boas oportunidades têm que ser aproveitadas, mas sua chegada mostra que o São Paulo começa 2011 agindo por reflexo, dependendo mais dos impulsos de seu presidente do que de um planejamento. Foi assim por exemplo com a mal resolvida efetivação de Sérgio Baresi como treinador, depois abortada.

O episódio do pré-contrato de Miranda com o Atlético de Madrid foi outra demonstração de como às vezes o clube deixa de se programar em questões básicas. Poderia ter negociado antes com o beque e feito um novo contrato com ele. Na pior das hipóteses, ganharia um dinheiro com a sua saída.

Curiosamente, sobra planejamento em temas mais distantes do time principal, como a reforma do CT de Cotia, custeada com dinheiro da Lei de Incentivo ao Esporte.

Com Rivaldo, Carpegiani ganha um jogador de qualidade para ajudar na armação e no ataque. Mas é um veterano. Será necessário alguém habilidoso e com mais gás para se revezar com ele, principalmente no Brasileirão.

Contudo, antes mesmo de chegar, Rivaldo já desempenhou um papel importante no Morumbi. Ofuscou o pré-lançamento da candidatura de Juvenal, apoiada numa brecha estatutária. Um prato cheio para os críticos do presidente, mas que esfriou graças à negociação com Rivaldo. Mas nem isso parece ter sido planejado. Tem mais jeito de coincidência.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Com folga, Tirone é o novo presidente do Palmeiras. E a rodada.

Quem esperava uma eleição apertada, estava enganado: Arnaldo Tirone não só confirmou o seu favoritismo como venceu por larga margem de votos, além da imaginada. O novo presidente do Palmeiras teve 158 votos contra 96 de Paulo Nobre e 21 de Salvador Hugo Palaia- uma vitória, convenhamos, indiscutível.

Na verdade, foi uma goleada da Oposição que além do presidente, elegeu os quatro vices- Roberto Frizzo, Edvaldo Frasson Teixeira, Mário Gianini e Walter José Munhoz. Frizzo, provavelmente, estará mais voltado para o futebol. Pelo menos é o que se comentava antes das eleições.

Por falar em futebol, Arnaldo Tirone, o pai do novo presidente foi um competente diretor de futebol, chegando até a fazer dobradinha com o famoso Ferrúcio Sandoli, na época da primeira Academia, em meados dos anos 60. Só para relembrar a equipe: Valdir, Djalma Santos, Djalma Dias, Carabina e Ferrari; Dudu e Ademir da Guia; Gildo, Servílio, Tupãzinho e Rinaldo, entrando no segundo tempo Ademar Pantera e, mesmo assim, sendo o artilheiro do time.

Se o filho tiver a mesma vocação e a mesma sorte...

O palmeirense espera pela pacificação. Quem sabe?

Em tempo: não estive presente no local das eleições, mas valho-me da reportagem do UOL para lamentar o incidente com um fotógrafo, Thiago Vieira, que foi indelicado em suas brincadeiras, via Twitter, durante o pleito. Mas também não posso compactuar com reações exacerbadas.



A RODADA

Um breve resumo da rodada:

1- O líder Santos (por saldo de gols) voltou a ganhar- e bem- desta vez do Mirassol, por 3 a 0. Mesmo desfalcado. Curioso é que dois jogadores balançaram de novo as redes: Zé Eduardo, que se especula ainda possa ira para a Itália, por duas vezes, e Maikon Leite, que há pouco tempo assinou um pré-contrato com Palmeiras, a partir de junho, por 5 anos. Como é que vai ficar a situação de Maikon? Há uma multa rescisória...



2- O São Paulo ganhou fácil do São Bernardo, 3 a 0, com um gol sem- querer de Dagoberto, um normal de Marlos e um belíssimo gol de Fernandinho- este, depois de driblar o zagueiro e enfiar a bola entre as pernas do goleiro. O tricolor também já tem seis pontos ganhos.





3- Ao sair de campo, Roberto Carlos considerou justo o empate do Corinthians diante do Bragantino, 1 a 1, em Bragança: “É duro jogar neste campo e o time do Bragantino está correndo bem”- disse o lateral. O gol contra de Chicão deixou o Bragantino sair na frente, vindo o empate ainda no primeiro tempo, num gol de cabeça de Jorge Henrique. Gol de centroavante.



Mas o Corinthians precisa mesmo de um camisa 9, de ofício, quando o Fenômeno não puder jogar.

Marco Aurélio Cunha: “Não era mais ouvido no São Paulo, por isso saí”

Marco Aurélio Cunha assinou nesta quarta-feira sua rescisão contratual (sem multa) com o São Paulo. Confira a entrevista com o ex-superintendente de futebol do clube, que alterna declarações escancaradas e sutilezas escondidas nas entrelinhas.

O senhor vai formalizar sua demissão hoje?

Não. O pedido informal foi feito em dezembro. Assinei a rescisão ontem. É bom deixar claro que não recebi nenhuma multa, indenização. Saio sem receber nenhum valor do São Paulo. E não existe possibilidade de eu vir a cobrar o clube no futuro. Não fiz isso há 20 anos quando fui demitido porque o grupo do Juvenal Juvêncio perdeu a eleição, não farei agora.

Quais motivos o levaram a pedir demissão?

Senti que meu grau de influência estava sendo pequeno. A minha influência diminuiu a ponto de eu não ser mais ouvido. Na rua eu sou cobrado como se eu fosse o São Paulo, tenho a cara do clube, mas lá dentro eu não tinha mais aquele poder de persuasão, minhas opiniões não eram levadas mais em conta. Então, não era justo eu continuar a ser cobrado assim.

Quais opiniões não foram levadas em conta?

São assuntos internos, não vou expor as feridas. Mas as vitórias levam a alguns abusos, fazem as pessoas saírem da realidade, eu tentava corrigir isso. Aí eu era a pessoa desagradável.

Tem a ver com as saídas do Muricy Ramalho e do Ricardo Gomes?

Eu achava que o Muricy poderia ter saído de outra forma, com uma porta aberta para ele voltar no futuro. Mas isso é difícil no futebol, não entenderam assim. Ficou claro que eu não era mais ouvido na saída do Ricardo. Argumentei que ele tinha bons números, mas resolveram mudar tudo sem planejamento, apostar na base sem nenhum cuidado. Não me consultaram, não me ouviram quando falei dos riscos.

Como conselheiro, se o Juvenal for candidato, vai votar nele?

Como amigo, gostaria que ele não fosse candidato, porque sua administração foi brilhante e ele só vai ter desgaste. Não sou jurista para saber se é legal ou não a candidatura dele. Vou ouvir as pessoas. Não posso dizer se votaria nele ou na oposição, pois não pensei no meu voto ainda.

Pode ser candidato à presidência?

Agora não.

A demissão tem a ver com a carta distribuída pelo conselheiro Edson Lapolla afirmando não ser ético um conselheiro ser remunerado como funcionário ainda mais para quem é da Comissão de Ética da Câmara Municipal, como o senhor?

Zero. Você acha que vou ligar para o que o Lapolla fala? Saí porque achava injusto ser cobrado nas ruas como se eu fosse o São Paulo sem ter poder para mudar o que eu achava errado. Se não me ouviam, eu não era mais útil, não fazia mais sentido ficar lá. Abri mão da visibilidade e de um salário que era economicamente importante. Poderia enrolar o São Paulo, ficar lá mais uns três anos recebendo salário, depois ser demitido e pegar uma indenização. Saí e mostrei que quando sinalizei no ano passado que pediria demissão não estava fazendo ameaçazinhas, como alguns no clube disseram. Mais gente deveria fazer o que eu fiz: ir embora.

Quem?

Tá cheio de gente que vive lá no São Paulo apenas por conta do cargo, só para ter o cargo, cargo não remunerado. Deveriam sair também. Ao me recusar a continuar ganhando sem ser ouvido, mostrei que não sou um são-paulino que quer tirar proveito do clube. Outros deveriam mostrar isso também.

O senhor continuará trabalhando no futebol?

De alguma forma vou. Tenho muitos amigos que me pedem ajuda, tem o pessoal de Santa Catarina que sempre me procura. Vou continuar porque não sou como uns que estão aí, que são da iniciativa privada e caíram no futebol. Eu sempre fui do futebol.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Muita calma com o Fenômeno. E Moreno é o 9 ideal?

Ronaldo Fenômeno será poupado do próximo jogo do Corinthians. E pelo que vi diante da Portuguesa, embora ele tenha dado duas “canetas” geniais e honrado o cargo de capitão, é uma precaução correta: ele ainda não está em forma, tem um histórico de lesões musculares e não valeria a pena arriscar sua participação na Pré- Libertadores. Ronaldo é fundamental.

Aliás, apesar de todas as tentativas por um grande centroavante, por enquanto Ronaldo Fenômeno é o único, de ofício, no Corinthians. Um amigo corintiano, bem- informado quanto aos bastidores do clube, me diz que ainda há uma ponta de esperança sobrea vinda de Luís Fabiano. Acho difícil, no momento. O nome da vez, ao que parece, é o de Marcelo Moreno, jogador que, em seus tempos de Cruzeiro, fez muitos gols.

E agora? Bem, para começar, se o preço for mesmo o de 9 milhões de euro s(mais de 20 milhões de reais), nem pensar. Trata-se de um goleador, é verdade, mas está longe de ser craque e, na Ucrânia, desde 2008,vinculado ao Shakhtar Donetsk- já foi emprestado duas vezes- uma para o futebol alemão e a outra para o futebol inglês. Ao que consta, sem sucesso.

De qualquer maneira, já o vi atuar bem pelo Cruzeiro e pela Seleção da Bolívia. Pode ser uma questão de estilo de jogo. Quem sabe?

No entanto, não ouso afirmar que Moreno seria o centroavante ideal na ausência de Ronaldo.

O esporte pelo social

No vôlei, a Unilever fará três partidas com renda destinada às vítimas das enchentes no Rio de Janeiro e com arrecadação de alimentos e demais materiais necessários para ajudar os desabrigados. No futebol, o Clube dos 13 fechou parceria com a Cruz Vermelha para tentar ajudar de alguma forma. No tênis, o Instituto Gustavo Kuerten recebe doações das mais diversas para colaborar. Na mídia, a TV Esporte Interativo abre espaço para que as pessoas também colaborem.

O esporte entendeu que tem uma função social importante. Infelizmente, como em quase tudo que acontece em nossa vida, percebemos a necessidade de mobilização quando a tragédia já está posta.

Nunca é tarde para poder ajudar. Só que seria interessante se houvesse uma preocupação constante do esporte com o lado social. Na Europa e nos Estados Unidos, já está enraizada na cultura esportiva a necessidade de usar sua força de mobilização social.

É só uma questão de responsabilidade de quem consegue, como poucos, mobilizar tanto as pessoas. Não é só o esporte quem agradece.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Ronaldinho vale a pena?

Você já conhece minha tese: “Contratação boa é aquela que dá certo”. Aliás, a tese não é minha, emprestei do Wanderley Nogueira. Comentarista esportivo deve apontar tendência, avaliar prós e contras, mas garantir o futuro é impossível. O mundo é assim também para os médicos, economistas, técnicos, jogadores…

Nas ciências exatas o acerto é comum. Não é o caso do futebol.

Saindo do muro e respondendo a questão, acredito que contratar Ronaldinho só vale a pena se não custar nada para o clube. Caso contrário sou contra. Ronaldo Fenômeno valeu a pena porque “paga” para jogar no Corinthians. Sua receita é maior que sua despesa. Hoje, Ronaldo é mais imagem que futebol. Tecnicamente jogou pouco. No ano passado foi uma decepção. Em 2009 foi bem. mas ganhou dois torneios de segundo nível: Paulista e Copa do Brasil. Faça as contas. É óbvio que não vale a pena pagar milhões para ganhar um regional e uma vaga para a Libertadores. O Sport Recife conseguiu isso pagando bem menos. Até o São Caetano chegou lá, sem quebrar o clube.

Hoje, futebol virou imagem, principalmente no Brasil.

Alguns jogadores que não têm mais espaço na Europa, tecnicamente falando, voltam para o Brasil. Aqui, ganham fortunas, mesmo sem jogar bem. Ganham porque tem alguém que paga, é óbvio. Estão corretos. Aproveitam a inversão de valores. Hoje, o garoto além de jogar bem precisa chamar atenção, como os nerds esfomeados do “Big Brother”. Vale tudo pela fama e dinheiro. Se o cara tem talento, não importa muito. O importante é que ele consiga vender camisas, patrocínios e criar escândalos. Se for pelo Twitter então, melhor ainda. O importante é aparecer.

Tecnicamente, Ronaldinho está devendo há anos. O craque leva uma vantagem: nunca teve lesões graves. Isso abre uma perspectiva boa para o futuro, pois ainda é jovem. Tem tudo para jogar na Copa de 2014. Porém, vai ter que provar que ainda pode voltar a ser um atleta profissional. Nos últimos anos, virou pipoqueiro. Não decidiu nada. Perdeu até para o Gabiru.

Não existe bola de crsital, mas neste momento vejo Ronaldinho como um jogador do passado.

Esta tendência pode mudar, é claro. Ronaldinho só depende dele. O desafio é com ele mesmo.

Kaká cai na real

“Passei momentos muito ruins nestes meses, sem saber sequer se voltaria a jogar”, afirmou Kaká, em entrevista publicada nesta quarta-feira pelo jornal espanhol “As”.

“Quando ele saiu da mesa de operações, não sabíamos realmente quando ele iria voltar. “, disse o médico Marc Martens que operou Kaká.

Martens criou polêmica na ocasião da cirurgia, ao dizer que o meia disputou a Copa do Mundo com sérios problemas físicos, correndo risco de comprometer a carreira. “Ele não deveria ter atuado”, reiterou o médico na época.

Não é tudo muito estranho?

No dia 21 de junho do ano passado, durante a Copa do Mundo, dei a nota abaixo em minha coluna na “Folha de S.Paulo”.

“KAKÁ DESMENTIRÁ, assim como o médico da seleção brasileira. Mas o fato é que ele está sofrendo para jogar esta Copa do Mundo e pode, como Guga, até encerrar sua bela trajetória no futebol muito mais rapidamente do que gostaria”.

Kaká foi à loucura a tal ponto que atribuiu a notícia a perseguição religiosa…

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Ronaldinho, Mais um Sonho desfeito? E o Santos mais forte...

A quem pudesse interessar, só faltava essa exigência do Milan para liberar Ronaldinho Gaúcho: uma quantia em torno dos 17 milhões de reais pelos seis meses que ainda restam de seu contrato. Quem paga? Nem os investidores do Grêmio, creio, e nem outro clube brasileiro, pois essa quantia e mais os salários do jogador, ah, isso seria- caso o Milan insista em sua pretensão-, verdadeira bola de neve, praticamente sem chance de retorno.

Assim como no caso de Adriano, cuja novela terminou sem um final feliz para quem sonhava com seus gols, o sonho da volta de Ronaldinho (que o Grêmio já dava como quase certa) terá o mesmo desfecho. É uma história que, acredito, vá ficar para outra vez. Quem sabe no meio do ano que está chegando?

E o curioso é que nenhum dos dois navegam em maré boa em seus clubes. Adriano até agora, na Roma, não fez um gol sequer; por sua vez, embora idolatrado pelo dono do clube, Sílvio Berlusconi, Ronaldinho amarga um nada agradável banco de reservas.

O SANTOS, AINDA MAIS FORTE.

O porteiro aqui do prédio, seu Souza, santista de fé, anda esperançoso com o seu Santos. E não é para menos. A contratação de Jonathan, que já foi comentada neste espaço, insisto que foi excelente: trata-se de um lateral-direito ousado, driblador e ofensivo, capaz de alimentar bem o meio-campo e o ataque pelo seu lado.

Além disso, o Santos repatriou Elano, bom jogador, que atua mais para o time do que para a torcida e sempre faz seus golzinhos. Com volta do craque Ganso, mais a manutenção de Neymar e os outros bons jogadores que já tinha, eis o Santos com cara e jeito de bela equipe. Ah, claro, falta Keirrisson voltar a ser o que já foi no Coritiba e em seu começo de Palmeiras- o goleador que até agora, na Vila, não recuperou a arte de estufar as redes.

São boas as perspectivas desse Santos. O amigo há de concordar.

O penta, o fim da virada de mesa e o promissor 2002

Se 2001 representou um ano turbulento para o esporte em todo o mundo, o ano seguinte foi de muito mais esperança, especialmente na gestão do futebol brasileiro. Foi o ano do pentacampeonato mundial, do fim das viradas de mesa na bola brasileira e, mais do que isso, do início de uma mudança de comportamento do dirigente esportivo com o torcedor.

A queda das Torres Gêmeas em setembro de 2001 deixou uma marca em toda a estrutura de vida do americano, que com isso fechou-se ainda mais na gestão de seus esportes. Nascar, NFL e as demais ligas do país viraram meios de o americano exercer seu patriotismo e relembrar o golpe sofrido com os atentados terroristas.

Na Europa, ainda sob efeito da quebra dos grandes grupos de marketing e mídia, os direitos de transmissão despencaram, as fontes de receita dos clubes diminuíram sensivelmente e, por fim, a importação de atletas sofreu uma queda significativa. Com isso, o mercado do futebol, especialmente, teve de se reajustar e reordenar a uma realidade financeira mais “pobre”, por assim dizer. Levando em conta o valor superdimensionado em que se encontrava o futebol europeu, a readequação foi mais do que necessária.

No Brasil, porém, 2002 marcou um ano de profundas mudanças que têm seus reflexos nos dias atuais. Por mais que as CPIs não tenham gerado uma punição direta aos grandes envolvidos nos escândalos levantados, os trabalhos sobre a elite dos dirigentes esportivos do país serviram para provocarem significativas alterações na estrutura do futebol o que, consequentemente, levou os outros esportes a reboque.

A conquista do pentacampeonato mundial pela seleção brasileira é emblemática nesse sentido. Afinal, a vitória no Japão e na Coreia devolveu a confiança no futebol nacional. Se, antes da Copa, nem mesmo a TV Globo tinha conseguido vender todas as cotas de publicidade para o evento, depois dela ficou claro para as empresas que investir no futebol nacional era uma necessidade.

O penta deu à CBF, também, a calma que a entidade precisava para tirar a pressão da opinião pública sobre seus dirigentes, especialmente Ricardo Teixeira. Numa manobra política, logo após o Mundial o chefão do futebol no Brasil fortaleceu-se ao colocar fim aos campeonatos regionais e devolver aos Estaduais sua importância. Isso freou a ordenação dos clubes, que gerenciavam as ligas regionais ao passo que abriu caminho para que a CBF fizesse o Campeonato Brasileiro por pontos corridos, o que significou um “cala-boca” para a mídia que tanto criticava a entidade (e Teixeira, principalmente) de abandonar o futebol no país.

Ao mesmo tempo, fora do futebol, o vôlei nacional retomava o caminho de vitórias com Bernardinho no comando da seleção masculina. O título mundial de 2002, o primeiro da história do país, abriu espaço para a retomada da soberania do Brasil na modalidade, ao passo que serviu para “substituir” o efeito Guga, que começava a cair em aproveitamento devido às lesões no quadril.

O segundo semestre do ano, porém, foi o mais significativo, especialmente para o futebol. A queda de Palmeiras e Botafogo para a Série B do Campeonato Brasileiro, sem a possibilidade de uma “virada de mesa” mudar o regulamento da competição, foi importante para dar mais credibilidade à competição.

No campo da política, o fim do ano representou o alicerce para a criação do Estatuto do Torcedor e da responsabilização de dirigentes por maus tratos na gestão dos clubes.

No apagar das luzes do governo Fernando Henrique Cardoso, o Grupo de Trabalho Especial (GTE) do Ministério do Esporte e Turismo conseguiu terminar o projeto de criação do Estatuto do Torcedor, que viria a ser sancionado no governo Lula. Ao mesmo tempo, FHC conseguiu aprovar Medida Provisória que responsabilizava os maus dirigentes com seus próprios bens em gestões temerárias dos clubes e entidades esportivas. A chamada Lei de Moralização foi fundamental para que os cartolas começassem a deixar de achar que eram “mágicos” e passasem a gerenciar os clubes de forma mais responsável.

O Estatuto do Torcedor foi fundamental para que o torcedor passasse a ser colocado em plano de destaque dentro dos projetos dos clubes. Algo que ainda engatinhava no Brasil, mas que já era óbvio para os gestores esportivos nos Estados Unidos, Europa e Ásia. Quem paga a maior parte da conta do esporte é o seu torcedor. Se ele não for alçado à condição de estrela, não tem como sustentar uma entidade esportiva.

No final das contas, todas essas mudanças deram um sopro de esperança para o ano de 2003, o primeiro em que o Brasil teria a principal competição do futebol jogada em pontos corridos, possibilitando que o planejamento da temporada fosse facilitado. Tanto para os clubes quanto para as empresas.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Os craques voltaram ou deixaram de ser craques?

Primeiro foi Fred, depois Adriano, Ronaldo, Robinho e por aí vai. Nos dois últimos anos, tivemos uma sensação boa de que o futebol brasileiro passou a se organizar para fazer com que grandes jogadores voltassem a atuar pelo país, equilibrando um pouco a balança tão desigual em favor da Europa (principalmente) e de outros centros mais ricos da bola.

Mas será que são os craques que estão voltando ou então o futebol brasileiro deixou de ter tanto craque tipo exportação assim?

A situação econômica mundial e a própria qualidade técnica dos nossos jogadores ajudam a explicar um pouco esse fenômeno. Sim, o faturamento dos clubes de futebol do Brasil se aproxima, e muito, de diversos clubes europeus. Já começamos a colocar clubes entre os top 50 do mundo em faturamento, mesmo com uma moeda que, no mínimo, tem metade do valor da de lá. Isso já foi suficiente para acabar com o primeiro problema que tínhamos, que era a saída de muito jogador para locais mais distantes, que davam melhores condições para o atleta viver.

O Leste Europeu ou o Oriente Médio turbinado por bilionários do petróleo já não são destino certo de nossos jogadores mais jovens (com 17, 18 anos) ou um pouco mais velhos (acima de 25) como foi há meia década. Agora, o jogador pensa muito bem antes de sair do país e ir para qualquer lugar no exterior.

Mas, da mesma forma, a volta de atletas para o Brasil tem muito a ver com o interesse pelo jogador brasileiro lá fora. O atleta que se segura firme na Europa e não cogita voltar ao país está no auge das formas física e técnica. São casos, numa lembrança rápida, de Júlio César, Maicon, Lúcio, Luisão, David Luiz, Alex (Chelsea), Thiago Silva, Breno, Ramires, Lucas, Alexandre Pato, Kaká... A lista é vasta. O Brasil continua como o principal produtor de pé-de-obra para os gramados europeus, mesmo com os clubes europeus também se preocupando mais pela formação de atletas, como reflexo do sucesso do Barcelona e da seleção espanhola, formados, praticamentes, nas categorias de base do clube catalão.

A volta de grandes nomes como os citados no início do post tem, portanto, muito a ver com o desinteresse do mercado europeu em bancar altos salários para baixo rendimento dentro de campo. Há quanto tempo Adriano não joga bem na Europa? Ronaldinho Gaúcho não é mais aquele melhor do mundo desde quando? Como Robinho voltou ao país depois de ser encostado na reserva do Manchester City? O craque já não é tão craque assim.

A diferença é que, agora, o futebol brasileiro tem dinheiro para contratar esse atleta antes de ele encerrar a carreira. Antes, era improvável achar que um Ronaldo ou um Ronaldinho poderiam atuar no país com tantos milhões ganhos no exterior. Só que, aqui, há hoje chance de que esses milhões apareçam com algum patrocinador disposto a bancar a contratação desse jogador. Mesmo assim, alguns clubes ainda fazem loucuras financeiras para que o atleta regresse, mesmo sem ter a garantia técnica de que ele vá ter uma boa performance dentro de campo, algo que a Europa com menos dinheiro deixa de fazer.

Se conseguirmos, nos próximos anos, usar essa melhoria na vida econômica, turbinar ainda mais os ganhos do futebol (as receitas oriundas do torcedor ainda estão adormecidas na maioria dos clubes) e souber gerenciar melhor os campeonatos daqui, sem dúvida que poderemos reduzir sensivelmente a exportação de nosso pé-de-obra.

Os dois melhores termômetros para isso são Ganso e Neymar. Até quando vamos conseguir mantê-los em atividade no país? A volta de craques que inspiraram esses atletas é um bom motivo para eles quererem continuar por aqui. Pode ser o início de um ciclo virtuoso do futebol brasileiro. Mas, hoje, são os pseudo-craques, mas nomes de grande história em nosso futebol, que estão de volta ao Brasil.

A Volta Por Cima

Às vésperas do Ano Novo, sempre com aquela pitadinha de mais otimismo- até comum à época-que tal refletirmos sobre notícias recentes e que podem significar a volta por cima? Por exemplo:

1- O Corinthians no ataque! É o que pretende o técnico Tite ao revelar que vai reviver na próxima temporada o trio atacante que deu certo em 2009: Jorge Henrique, Ronaldo Fenômeno e Dentinho. Como sabe que não terá o futebol de Ronaldo em todos os jogos, Tite, entre outros reforços, não descarta totalmente Adriano, embora reconheça que o negócio ficou mais difícil. Aliás, o Imperador voltou a afirmar no Rio, nesta segunda-feira, que continuará na Roma. Acredito. Mas em futebol, a História ensina, nunca se sabe...



2- Kaká de volta! Sem jogar desde a partida em que o Brasil foi eliminado pela Holanda na Copa do Mundo da África, Kaká tem sua volta aos campos marcada para o dia 6 de janeiro. A imprensa espanhola noticia que ele frequenta o clube, em busca da recuperação, até nos dias das festas. Trata-se de um grande jogador e um belo exemplo.



3- Ronaldinho Gaúcho, o Resgate? A chuva adiou o encontro entre Assis, irmão e procurador de Ronaldinho, e Galliani, homem forte do futebol do Milan- que está no Rio. Como já disse, a não ser por uma divergência financeira entre o procurador e o clube de Milão, creio que Renato Gaúcho está certo ao considerar em “90 por cento ou mais” a volta do craque ao time que o revelou. E de onde saiu tão cedo.

Seria uma volta por cima para ambos, clube e jogador.



4- Valdívia, xodó da torcida do Palmeiras: não sei se ainda é tanto quanto já foi depois desses meses de estiagem. Mas que continua xodó e esperança, ah, isso continua. Por estes dias, tenho ouvido de torcedores do Palmeiras palavras de preocupação quanto ao seu futuro e à harmonia com a Comissão Técnica. E a grande maioria dos torcedores, é claro, torcendo para que tudo acabe bem e o chileno reviva o futebol que lhe rendeu o apelido de “El Mago”.



Seria outra volta por cima.



5- Jobson e o futebol de menino-craque: dele já falei recentemente. Mas insisto: se conseguir driblar o comportamento fora de campo, que foi problemático no Botafogo, será atacante de raras virtudes, ousado e driblador, para sorte do Atlético Mineiro. E para sorte dele, Jobson, também.

Não custa repetir: outra volta por cima, pois não?

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Querido Papai Noel

Querido Papai Noel, mais um ano vem chegando ao fim e, com ele, meus sinceros votos de que nós possamos ter um 2011 ainda melhor. Acredito que eu tenha sido um bom menino e, por isso mesmo, segue a minha listinha de presentes para este Natal. O senhor, como bom velhinho que é, verá que não peço nada material, apenas algumas melhorias para que o nosso futebol brasileiro seja ainda melhor, mais forte e, claro, traga mais alegrias para as pessoas.

Afinal, já que esse é o espírito que devemos preservar no Natal, porque não procurarmos ganhar de presente um montão de coisa que pode ajudar a termos um 2011 melhor?

Então, querido Papai Noel, segue aqui a minha listinha. Escolhi 11 presentes, já que um time de futebol que se preze precisa ter 11 jogadores em campo, e também o ano que vem é 2011. Ah, sei lá por que. Só veja se o senhor pode me ajudar, por favor.

1 – O senhor pode fazer com que a imprensa decida realmente só dar a notícia de que um jogador fechou com um clube quando de fato a negociação estiver concretizada? Não aguento mais o dever de informar ser suprimido pelo dever de vender jornal, de aumentar a audiência, etc. E o compromisso com o leitor, onde é que foi parar?

2 – Dê, para cada clube da Série A do Campeonato Brasileiro, uma mala de cada uma das cores existentes, por favor! Assim, quando chegarmos lá em novembro de 2011, todos colocam suas malas coloridas à venda. Quem sabe, desse jeito, vamos voltar a falar do que de fato interessa, que é o resultado dentro de campo, e não da maracutaia que pode, talvez, quem sabe, existir.

3 – O senhor tem alguma espécie de calculadora-punidora? Queria que o senhor presenteasse os clubes com ela. E não precisa ser só do Brasil, não! Funcionaria mais ou menos assim. Quando o dirigente fizer a conta e descobrir que ela vai ficar negativa, ele toma um choque. Acho que isso ajudaria a fazer com que os clubes voltassem a pagar os jogadores em dia, parassem de contrair mais dívidas e, finalmente, buscassem novas fontes de receita para ajudar a fechar o ano no azul. Não é assim que a gente tenta fazer lá em casa?

4 – É possível instituir uma regra que faça com que a Conmebol e a CBF resolvam não meter o bedelho em nenhuma competição do futebol na América do Sul e no Brasil? Veja só, querido Papai Noel, sei que esse presente deve ser o mais difícil de conseguir. Mas imagine só como seria mais legal se, em vez do interesse político, a gente buscasse deixar o campeonato o mais interessante possível equiparando todas as equipes e dando o maior senso de justiça para um torneio. Imagine só? O campeonato começaria e terminaria com a mesma regra, sem mudar o número de times classificados para este ou outro torneio, sem nenhuma bagunça...

5 – Papai Noel, esse pedido aqui, se o senhor conseguir entregar esse anterior, pode riscar da lista. É o seguinte: tem como a gente reduzir de vez os Estaduais? Não quero acabar com eles, acho que eles têm a sua graça. Mas não com tanta gente! É mais ou menos como festa muito lotada. Perde aquele charme, não é mesmo? Não dá para deixar em 10 datas o Estadual?

6 – Por favor, Papai Noel, arrume um jeito de entregar, na casa de alguns treinadores e de alguns jornalistas, um pó mágico, que faça com que eles sejam menos rancorosos neste 2011 que vem chegando. Quem sabe assim até as modorrentas entrevistas coletivas após os jogos sejam legais! Eu sei que é difícil, mas já que o senhor pode dar qualquer presente...

7 – O senhor pode entregar aos clubes uma camisa de futebol menos poluída? É como se o sonho do torcedor fosse realizado, entende? O que ele gosta é da camisa do time apenas com o escudo, nada além disso. Aí o pessoal, em busca de dinheiro, vende o manto sagrado para um monte de marca. E, o pior, é que as empresas acham que isso tá dando “retorno”. Poxa, Papai Noel, eu nem me lembro quem é que está na camisa do Real Madrid, que só tem um patrocinador, como é que vou lembrar qual é uma das sete marcas que estão estampada no uniforme do Timão? Sei lá como o senhor vai fazer, Bom Velhinho, talvez valha invadir a casa dos patrocinadores para resolver essa...

8 – O senhor pode dar um calendário de presente para o Ricardo Teixeira, para a presidente Dilma, para o ministro do Esporte (seja lá quem ele ou ela for), para o presidente da Infraero e para os governantes das 12 cidades-sedes da Copa de 2014? É que sabe como é? Já foram três anos da escolha do Brasil e, até agora, parece que só os estádios começaram a ser arrumados para o torneio. E olha que estádio nem é tão problemático assim. Quero ver como fazer para deixar os aeroportos bons para a população, as ruas, o transporte público... Ok, vou parar por aqui! Só um calendário eu lhe peço, Papai Noel. Só isso!

9 – Por acaso o senhor tem um controle remoto poderoso, que faça com que a gente possa escolher para ver apenas os melhores momentos das mesas-redondas no domingo à noite? Sem aquela discussão vazia, que não leva a nada. Só o que de fato realmente interessa! Esse é um presente que faria feliz praticamente todas as famílias do Brasil! É sério, Papai Noel, o senhor seria recebido em carro de bombeiros toda vez que passasse por aqui depois dessa!

10 – Sei que já estou pedindo muito, mas sua fama é de quem torna os sonhos possíveis. Será que dá para ensinarmos um pouco mais de gestão para quem está no comando do futebol? Nem é muita coisa. Só mostrar para eles que não adianta ser torcedor quando você senta na cadeira da presidência. Lugar do torcedor é na arquibancada, no choro, na emoção. Quando o cara vai comandar o clube, ele tem de ser frio, especializado, pronto para cuidar com muito carinho da sua empresa. Esse pedido é interessante, Papai Noel, porque aí não preciso pedir um montão de outras coisas, como a mudança do horário dos jogos, o fim da dependência de uma só fonte de dinheiro dos clubes, a manutenção dos melhores atletas por aqui, etc. Viu só como eu sou legal?

11 – Por último, Papai Noel, gostaria de saber se tem como o senhor entrar em contato com o “pessoal lá de cima” para fazer uma mudança no Brasil. Tem como a gente instituir que o ano começa em agosto e termina em julho? É porque aí todas as competições de futebol começariam e terminariam juntas. Esse pedido é só em caso de máxima urgência. Se por acaso o senhor percorreu os outros dez presentes e se desesperou, talvez realizando esse daqui já tenhamos uma melhoria para o futebol no Brasil. Não é a solução, mas ajuda a melhorar.

Bom, é isso aí, Papai Noel. Espero que o senhor consiga me entregar alguns desses presentes. Sei lá, do jeito que estão as coisas, um deles já ajudaria bastante. Pode escolher qualquer um. Sabe como é, tem algumas coisas que acontecem hoje com o nosso futebol que dá dó de ver. Quem sabe o senhor, do jeito que é bondoso, abra os olhos dessa turma...

As Tendência no Mercado. E a Final dos meninos

E segue o Mercado da Bola com suas especulações e indefinições, esperando-se que nesta semana surja algo mais conclusivo quando aos grandes nomes. Adriano, por exemplo, já chegou ao Brasil para as festas de Natal e enquanto muitos corintianos ainda sonham com ele, a tendência é a de que o Imperador continue na Roma. Mas quem ousa descartar outro desfecho, mesmo com os elogios do técnico romano, Claudio Ranieri, a Adriano?

Outro caso a ser resolvido é o de Thiago Neves, meia bom de bola, com o Fluminense. Liberação difícil dos árabes, não impossível. E aí, já que Conca é intocável, o que aconteceria com o outro meia famoso do Flu, o ex-jogador da Seleção de Portugal e do Chelsea, Deco?

E nas esteiras das indefinições, já que o São Paulo prioriza Alex (segundo o blog do Perrone) e aceita esperar por ele até maio, pode ter sido resolvido o problema para quem espera por meia, de preferência canhoto, como jogador do Fenerbace e que já foi ídolo no Palmeiras e no Cruzeiro.

Ah, para encurtar a lista, uma notícia que me vem de uma fonte- também a ser conferida: se Adriano ficar mesmo na Roma, o que é o mais provável, Liedson, do Sporting, seria o atacante mais cotado para ser contratado pelo Corinthians. Na verdade, ele voltaria ao Timão.

Ronaldinho Gaúcho? Muito bla-bla- bla e até agora nenhuma solução. É melhor dar um tempo nesta novela. Pelo menos até surgir um fato verdadeiramente novo.



A FINAL DOS MENINOS

E chegam à final do Campeonato Brasileiro sub- 20 o Palmeiras e o Cruzeiro. O jogo será disputado menos de 48 horas depois de o Palmeiras vencer o Vitória (3 a 1) e o Cruzeiro ganhar do Vasco (também por 3 a 1) neste domingo.

O Cruzeiro vem de duas vitórias arrasadoras, diante do rival Atlético Mineiro e do bom time do Vasco. Por sua vez, o Palmeiras perdeu a primeira partida (0 a 2) para o Atlético Mineiro, mas, depois, só fez ganhar- do Flamengo (1 a 0), do Guarani (1 a 0), do Atlético Goianiense (5 a 3), do Ceará (2 a 1) e do Vitória.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O futuro de Ronaldinho Gaúcho. E a Inter de Milão na final.

Embora a imprensa italiana tenha noticiado que Ronaldinho Gaúcho deve ser negociado com o Galaxy, dos Estados Unidos, creio que a tendência maior é a de que ele volte mesmo para o Brasil (Palmeiras?), se existirem patrocinadores que banquem esse investimento. Para acentuar essa tendência surgiu a notícia de que o técnico da Seleção Brasileira, Mano Menezes, teria desaconselhado Ronaldinho a jogar em campos norte-americanos.

E sabe como é, Seleção Brasileira, a esta altura do Campeonato, deve valer mais para Ronaldinho do que um punhado de dólares, pois que destes, acredito, seus bolsos já andam cheios. O desafio é recuperar a autoestima e o futebol perdidos nestes últimos tempos num time que o coloca no banco de reservas. E que, sem ele, lidera o Campeonato Italiano, com um futebol que há tempos não se via na equipe “rossonera”.

Outro dia, aliás, acompanhei a vitória do Milan sobre o Bologna, fora de casa, local onde o adversário estava invicto até então. E sem ter Ronaldinho por um minuto sequer (ele ficou no banco de reservas o tempo todo), o Milan ganhou por 3 a 0, numa exibição impecável (Robinho fez o segundo gol), com grande exibição de Pirlo e com a presença sempre marcante e decisiva desse extraordinário Ibraimovic.

Neste momento, não há mesmo lugar para Ronaldinho neste time. Resta saber quando o Milan vai liberá-lo: já em janeiro ou daqui a seis meses, quando terminará o seu contrato?

A INTER NA FINAL

E por falar em Milão, foi fácil a tarefa da Inter: ao contrário de seu xará de Porto Alegre, espantou a zebra e venceu Seougnam por 3 a 0, gols de Stankovic, Zanetti e Milito. E nem se perturbou quando perdeu seu jogador mais precioso, o holandês Sneidjer, vítima de lesão muscular, logo no primeiro minuto de partida.

E agora, estamos diante de uma final inesperada, mas de certa maneira atraente: serão capazes os africanos do Mazembe de revelar a mesma velocidade e a mesma disposição que liquidaram o mexicano Pachuca e o nosso Inter (de Porto Alegre)?

Ah, ia dizer que os italianos são os favoritos, Mas é melhor não...

Allez, Guga!

O que tem mais para se falar de Guga? Estava pensando exatamente isso na noite de sábado, enquanto tentava conter as lágrimas dentro da garganta vendo o choro do maior fenômeno que o tênis brasileiro produziu e, muito provavelmente, produzirá na sua história.

Nessa hora que pensei no “Allez, Guga”, que os torcedores franceses souberam entoar durante os cinco maravilhosos anos em que ele foi o Rei de Roland Garros. Guga era o cara que, entre 97 e 2002, queríamos ver, saber o que ele fazia, consumir o que ele consumia, seguir seu estilo de vida.

Guga foi o que falta, e muito, para o esporte brasileiro. Um ídolo carismático, simpático, alegre, vencedor. Um cara que nos dá orgulho de ter nascido no mesmo país dele, que nos motiva a sonhar mais alto, a querer ser melhor, a ser tão competente quanto ele.

Ídolo que hoje é uma palavra tão ausente do cotidiano do nosso esporte. De jogadores que se deixam levar rapidamente pelo grande dinheiro que circula em outros países, que não tentam entender a importância de se criar um vínculo com suas origens, que são massacrados pela vontade de lucrar de clubes, empresários, família, dirigentes, etc.

Não só no futebol, mas também em outros esportes com menor volume de dinheiro gerado, vemos uma crescente fuga de potenciais ídolos. E isso é extremamente prejudicial para que a gente consiga desenvolver ainda mais o esporte no país.

Guga consegue, ainda hoje, deixar o torcedor próximo do tênis. Para um esporte carente de ídolos, seu trabalho é fundamental para ajudar no crescimento da modalidade. A mesma lógica vale para outros esportes, que só conseguem atrair a força da mídia quando há um vencedor como foi Guga.

Mas até mesmo o tão massacrado futebol brasileiro precisa abrir o olho. Sim, ele não precisa do ídolo para manter a chama do torcedor acesa, a força da paixão pelo clube garante que tenhamos uma conexão imediata da pessoa com o time. Mas a ausência do ídolo, no longo prazo, é extremamente prejudicial para o interesse do torcedor pelo clube. Sem ter para quem torcer ou, pior, tendo para quem torcer apenas fora do país, ele se distancia daquela que deveria ser a sua grande paixão.

Que tenhamos mais Gugas no esporte de hoje. Não será só o tênis quem vai agradecer.

domingo, 12 de dezembro de 2010

A última do Adriano. E a Moleza de Abu Dhabi

Com esta atitude do técnico da Roma, Claudio Ranieri, confirma-se ainda mais a certeza de quase todos os corintianos em ver Adriano com a camisa do clube, já em janeiro: o Imperador não foi sequer relacionado para o jogo deste domingo, diante do Bari, pelo Campeonato Italiano. Não estará nem mesmo no banco de reservas e nem concentrado. Divórcio explícito?

Enquanto isso, achei muito boa a aposta no zagueiro já contratado, Wallace, ex- Vitória, levando ainda em consideração a opinião de meu amigo português, Armindo, que me garante estar em boa forma o outro zagueiro pretendido, Anderson Polga. Apesar da má campanha do Sporting, time do coração do velho Armindo...

É, o Corinthians também não está dormindo para essa Libertadores. Torneio que promete ser empolgante.



A MOLEZA DE ABU DHABI

Com todo o respeito aos participantes- e sempre dando espaço a eventuais zebras-. Que moleza chegar à final do Mundial de Clubes. Meu Deus! Pelos melhores momentos que vi, os velozes africanos do Mazembe não vão além disso, com claras deficiências defensivas. Dá Inter, de Porto Alegre!

E o time do Seongnam, que tem como maestro o nosso conhecido Molina (ex- Santos), apesar de sua goleada sobre o Al Wahda, por 4 a 1 (neste sábado), pouca resistência deverá ter para enfrentar a Inter de Milão.

Seria mais fácil, cruzando os dedos para qualquer zebra, já programar a final: o nosso Inter contra a Inter dos italianos.

Bem, aí, como dizem os torcedores, o bicho pode pegar...

Mais que um clube?

E o Barcelona finalmente quebrou a tradição secular. Após 111 anos, aceitou negociar um contrato de patrocínio. Apesar de tentar, de todas as formas, rechaçar a ideia de que tenha "vendido" a camisa, argumentando que o Qatar Foundation é uma entidade que não visa o lucro, é óbvio que finalmente o clube decidiu engordar a conta bancária com um patrocinador.

O acordo, com seus 33 milhões de euros, mostra o quanto é vantajoso você proteger o símbolo mais valioso do clube, que é a sua camisa.

Vale lembrar que a estratégia de "abrir" a camisa com o patrocínio à Unicef, que reforçou a ideia de o Barça ser "mais que um clube", tinha por trás um outro projeto, que era convencer o tradicional torcedor catalão de ver uma marca na camisa do time.

Deu certo. Os quase 8 milhões de euros investidos nesse acordo com a Unicef, além de dar um bom retorno de imagem, fez a tradição cair. E o clube faturar o maior contrato de patrocínio da história do futebol.

Nike, agora, quer dominar mercado de surfe

A Nike vai anunciar, em breve, seu novo diretor geral para o Brasil: o grego naturalizado brasileiro Chris Kypriotis será a partir do dia 1° de janeiro o novo diretor geral da empresa no Brasil (leia detalhes aqui). Por trás da escolha de Kypriotis, ex-presidente da marca de surfe Billabong e com a carreira formada no mercado de surfwear, está a estratégia da Nike de dominar um dos mercados mais rentáveis do esporte.

O mercado de roupas de surfe é um dos mais concorridos que há atualmente. Mais do que roupa para a prática esportiva, o surfe representa um estilo de vida, em que especialmente os jovens se vestem com bermudões e camisas regatas não por praticar o esporte, mas por querer se vestir dessa forma.

Há dois anos que a Nike já tem, no Brasil, a linha 6.0, voltada exatamente para o mercado de surfwear. Agora, a empresa pretende ampliar sua atuação e passar a incomodar as líderes, entre elas a Billabong, antiga casa de Kypriotis.

A investida se faz num momento bom para a marca, que conseguiu recuperar sua imagem no mercado de corrida de rua com a realização e consolidação do desafio de 600k entre São Paulo e Rio de Janeiro.

A partir de agora, futebol, corrida de rua e surfe vão compor a trinca de sustentação da Nike no mercado de material esportivo do Brasil.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A Fórmula Indy cada vez mais próxima do Brasil

O presidente Lula convidado para as festividades dos 100 anos da corrida de Indianápolis em 2011 e uma outra prova no Brasil, provavelmente em 2012 na cidade de Porto Alegre. Essas são duas das novidades da Fórmula Indy na última semana. O avanço da categoria para o mercado brasileiro mostra o quanto esporte e patrocínio podem formar uma combinação muito eficiente, desde que exista estratégia para explorar comercialmente um evento esportivo.

A Apex, órgão que cuida da participação de empresas brasileiras nas exportações, é o principal patrocinador da Indy. Com isso, usa essa propriedade para aproximar as empresas brasileiras do mercado americano, principal parceiro comercial do Brasil. Dentro desse intercâmbio, além de o etanol ser o combustível da categoria, diversas marcas do país aportaram na competição, tanto no patrocínio aos pilotos brasileiros (há quase uma dezena deles) quanto em aportes a algumas provas (a etapa de encerramento da temporada 2010 em Miami, por exemplo, foi batizada de "Cafés do Brasil Indy 300).

Agora, o movimento é também de expansão para dentro do mercado brasileiro, fazendo com que os americanos venham para cá em busca também da geração de negócios. Nas palavras de Terry Angstadt, presidente comercial da Indy: "Pela facilidade geográfica, Porto Alegre é um local-chave para a realização de uma prova por ser o Mercosul estratégico para a expansão dos negócios promovidos pela Apex".

Americano sabe muito bem como fazer do esporte uma plataforma para a geração de negócios. Não é vender espaço em camisa, na mídia ou apenas produto licenciado. É entregar ao parceiro comercial muito mais do que isso.

O Brasil deveria olhar muito mais para lá e menos para a Europa, que ainda é considerada a base de comparação, especialmente quando o assunto é futebol.

O Corinthians fez o dever de casa. Mas o Flu está a um Passo do Título.

Como se esperava, o Corinthians venceu o Vasco sem passar sustos. Pelos momentos que vi- chamado de os melhores momentos, embora, às vezes nem existam tanto- 2 a 0 (gols Bruno César, com o desvio de Dedé, e Danilo), mesmo sem nenhum grande brilho em seu futebol, foi até modesto para a equipe corintiana. Afinal, quais foram as chances criadas pelo Vasco? No primeiro tempo, nenhuma.

E para justificar a falta de brilho maior no Corinthians, convém lembrar que a equipe esteve sem Elias, um dínamo no meio do campo, e sem Ronaldo, ainda diferenciado, com quilos a mais ou não. Em termos de título, porém, acredito que as últimas esperanças corintianas ficaram mesmo naquele empate com o Vitória, em Salvador. Pela lógica, agora só mesmo uma zebra histórica- ou, então, um milagre- pode lhe dar o título que esperava em seu Centenário.

Aliás, as zebras andam desfilando como nunca neste ano. O rebaixado Goiás não venceu o Palmeiras, no Pacaembu, e empatou com o Flu, no Engenhão?

Pois é.



DEOLA EVITOU UMA GOLEADA DO FLU

Embora tenha feito um gol logo aos 4 minutos de jogo, aliás, num chute incrível de Dinei (que, creio), ele nunca mais vá acertar um igual ao longo da carreira, o Palmeiras foi totalmente dominado pelo Fluminense. E perdeu só de 2 a 1(através dos gols de Carlinhos e Tartá) porque seu goleiro, Deola, foi autor de magníficas intervenções, mesmo com os xingamentos de alguns torcedores palmeirenses, postados atrás do gol, irritados com seus milagres.

O Palmeiras entrou em campo com seu time quase todo titular. E, em minha opinião, fez o que pode (o que geralmente é pouco), pelo menos marcando com disposição, já que atacar não é mesmo seu forte. A partir do segundo gol do Flu, porém, já totalmente dominado tecnicamente pelo adversário (o que não é novidade), o Palmeiras limitou-se a defender e a tocar a bola. Em monotonia de dar sono.

Ficou claro? Não houve entrega de jogo- tipo gol contra, furada, displicência na marcação, falha do goleiro, etc-, mas ficou evidente a falta de ambição ofensiva. Ou, pior, de competência ofensiva.

O que não aconteceu apenas neste jogo. Foi o tom melancólico desse time ao longo do ano e dos torneios que disputou.

Ao Flu, por sua vez, basta agora apenas vencer o Guarani para levantar a Taça. Tudo indica que o fará.

domingo, 21 de novembro de 2010

Correios faz ação no sub-23 que "ninguém" vê

A ideia foi sensacional. O Correios foi um dos patrocinadores do Campeonato Brasileiro sub-23 que aconteceu como preliminar de diversos jogos do Brasileirão da Série A deste ano. A propriedade a que a empresa tinha direito era muito bacana. O jogo só começava quando um carteiro entregava uma encomenda ao trio de arbitragem. A caixa continha a bola que seria usada para dar início à partida.

É a típica ação que une perfeitamente o que faz o patrocinador com uma das coisas mais essenciais do futebol, a bola do jogo. Algo bem similar àquilo que a Fifa fez na última Copa do Mundo, quando o árbitro retirava a bola da partida de um pedestal, em que você, no caso, podia ver claramente a marca da Adidas aparecendo na bola.

Mas, diferentemente da Copa, quando essa ação era exclusiva para atender ao público que acompanhava os jogos pela TV no mundo todo, aqui no Brasil essa ação dos Correios ficou restrita a quem estava presente no estádio.

O Sportv, que foi o canal que exibiu com exclusividade os jogos do torneio, simplesmente ignorou a ação e só mostrava a imagem do centro do gramado quando a bola já estava lá no chão, pronta para a partida começar, e o "carteiro" tinha deixado o gramado.

Nesse caso, não dá para culpar a emissora. Bola fora de quem pensou a ação, que deveria ter um acerto comercial também com quem transmitia o evento. Afinal, um carteiro não faz parte de um jogo de futebol, está ali exclusivamente para gerar mídia e exposição para a empresa. Daí a necessidade desse acordo. No caso da Copa do Mundo, a Fifa obrigava a exibição da imagem da bola pelas TVs, e era apenas ela quem recebia o dinheiro da Adidas pelo patrocínio. Obviamente que isso só é viável por se tratar de uma Copa do Mundo.

No caso do Sub-23, a ação só seria completa se tivesse esse acordo comercial que espalhasse o conceito para o torcedor em casa, que sem dúvida foi a maioria. Mas ações inovadoras como essa são absolutamente necessárias para manter viva a criatividade dentro do marketing esportivo. É só conferir como a cena é inusitada e divertida na foto abaixo.

Três gols de Messi para cá, três de Cristiano Ronaldo para lá. E por aqui...

Já de há muito suspeito que o mar virou sertão, o sertão virou mar. Como? No caso, é o seguinte: toda a nossa volúpia ofensiva, a nossa vocação goleadora, eu vejo em outros lugares. Mas não no futebol brasileiro.

O mesmo tempo em que estamos encerrando o Campeonato Brasileiro com a pior média de gols da era de pontos corridos (até agora, média de 2, 73 por jogo) e dificilmente atingiremos mil gols na competição, as goleadas se sucedem na Europa. Neste final de semana, por exemplo, tivemos marcas impressionantes na Espanha: enquanto o Barcelona esmagava o Almeria por 8 a 0, com três gols de Messi, o Real Madrid goleava o Atlhetic Bilbao por 5 a 1, com três gols de Cristiano Ronaldo.

Não apenas na Espanha, mas na Inglaterra, na Alemanha e em vários países da Europa tomou-se o gosto pelo futebol ofensivo, do jogo pelas pontas, pelo gol. E nós, que éramos os reis da ofensividade, do insinuante jogo pelas extremas e da reverência aos goleadores, ficamos apenas nessa de marcação, de retranca, de não dar a menor importância para o espetáculo.

É pena.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

O marketing do não-jogo de equipe da Red Bull

"Prevejo um final de campeonato igual a um filme de Hollywood. No pior dos cenários, nós ficamos sem o título, mas tudo bem, ganharemos no ano que vem. Nossa filosofia permanece a mesma porque isso é um esporte e deve permanecer como esporte". A frase é de Dietrich Mateschitz, dono da Red Bull.

Além de ser uma crítica mais do que direta ao jogo de equipe feito pela Ferrari e que mantém Fernando Alonso muito bem na disputa pelo título mundial de pilotos, a declaração do fundador da empresa é também uma lição para qualquer empresa que pensa em investir no esporte.

Por mais dinheiro envolvido, por maior retorno financeiro que você tenha com um título, nenhum marketing é melhor do que manter a condição de disputa em pé de igualdade, vencendo, no final das contas, aquele que foi mais bem preparado para isso.

Essa é a essência do esporte.

Ao defender isso, Mateschitz acerta em cheio uma discussão importante para o mundo do esporte. Dinheiro não é tudo. Curiosamente, o ensinamento vem de uma das empresas que investe mais dinheiro em esporte, mesmo não sendo uma companhia que dependa do esporte para viver. Talvez até por isso a Red Bull seja um caso de estudo para qualquer um que pense em marketing esportivo nos dias de hoje.

O Líder Corinthians Agradece o Inesperado Presente do Goiás

Polêmicas à parte, não poderia ter sido melhor o final de semama para o Corinthians em seus sonhos de título de Campeão Brasileiro. Não bastasse ter vencido o Cruzeiro, talvez nem imaginasse o que estaria por acontecer no domingo: com quem então o vice-lanterna Goiás, praticamente rebaixado, seria capaz de sair do Rio sem perder para o Fluminense?

Pois foi o que aconteceu, neste domingo, para surpresa geral. Empate de 1 a 1- e olhem lá,com o Goiás saindo até na frente (gol de Rafael Moura, o He-Man, que anda iluminado) e demorando um tempo enorme, que parecia mais de dez noites, para o Fluminense chegar ao empate(gol de Conca, de pênalti), sem tempo para alcançar a virada.

Pode parecer falta de sorte do Flu, que criou várias chances. Em minha opinião, não foi: o que aconteceu é que além de voltar com Deco e Fred longe da forma ideal, o Fluminense mostrou-se afobado, nervoso, errando bolas fáceis, a insinuar que poderia jogar três partidas seguidas que não encontraria o caminho das redes.

Com todo o respeito, o Flu não mostrou a segurança de um campeão. O Campeão, parece mesmo ser o Corinthians.

Mais ou menos como diria Nélson Rodrigues, "Estava escrito. Desde o começo dos tempos".

LOGO AGORA, PALMEIRAS...

A goleada sofrida pea o Atletico Goiainiense, por 3 a 0, não ficou nada bem para o Palmeiras. É claro!

Aliás, foi o mesmo placar do primeiro turno. Desta vez, existe a desculpa que a equpe de Felipão jogou com os reservas. O que é verdade. Mas é verdade também que o futebol tem muito de emocional. E nesse mesmo estádio em que foi vencido pelo Atlético por 3 a 0, o Palmeiras enfrentará nesta quarta o Goiás, fortalecido por ter arrancado dois pontos do Fluminense e de ter eliminado o Avaí, fora de casa, na Sul-Americana.

Trata-se de outro confronto imprevisível.

Entre as Especulações, Adriano no Corinthians é Mesmo uma Delas

Já há um Campeonato à parte, correndo em paralelo a este que se aproxima do final: o da busca de reforços e patrocínios para 2011, em especial para os clubes que irão disputar a Taça Libertadores da América.

No Corinthians, que irá lutar pelo título inédito- que lhe escapou no ano do Centenário, Ronaldo não está sozinho no desejo de ter Adriano como companheiro de ataque: o fervoroso corintiano José Gonçalves, muitas vezes informado dos bastidores corintianos, disse no domingo passado, durante o programa "No Pique" que um grande atacante será contratado. Cauteloso, Gonçalves disse que "me garantiram o nome do Adriano. Mas não estou cravando o nome dele. Depende de patrocínio".

O nome de Adriano já fora cogitado, depois desmentido, mas volta a ser falado, enquanto outra surpresa, segundo Gonçalves estaria sendo preparada: "É para a a zaga e vai dar polêmica: é o Alex Silva, o Pirulito, que está no São Paulo".

Será?

Enquanto isso, no Palmeiras- se for mesmo disputar a Libertadores, ganhando a Sul- Americana- volta-se a falar no nome de Alex. de inesquecíveis atuações em outros tempos e que está na Turquia. Em minha opinião, é sonho difícil de ser concretizado. Muito difícil, até pelo dinheiro que não anda farto no Parque Antarctica.

E, apesar dos problemas que vem criando no Botafogo, há quem garanta que interessa- e muito- o futebol de Jobson, atacante veloz e atrevido, 22 anos,dono de um estilo que Scolori diz vir sentindo falta há algum tempo.

Mas não sei a dimensão dos problemas de Jobson. Outros nomes são falados, entre eles o de Cristian, volante que arrebentou no Corinthians, mas a grande jogada é a tentativa que- me contaram- está sendo feita por dois intermediários do Palmeiras em viagem pelo mundo árabe e também pela Inglaterra: o patrocínio de uma companhia aérea para o futebol palestrino.

Seria o mais valioso reforço, diante da grana que anda curta.

Palmeiras quer Palestra na Copa

Se a Fifa quiser, o Palmeiras cede o novo estádio para os jogos da Copa no Brasil em 2014. ¨Enviamos nosso projeto ao comitê local da Copa. O nosso estádio está disponível para o mundial no Brasil. A abertura é difícil pela capacidade menor mas receber outros jogos é possível¨, aposta José Cyrillo Jr.,diretor administrativo do clube.

A seleção brasileira atuará pelo menos na estreia do torneio, no estádio do Corinthians, então, o Palestra poderia ser a casa da squadra azurra: ¨Para ser o palco dos jogos da Itália¨, vibra o dirigente.

O novo Palestra ficará pronto em março ou abril de 2013.

sábado, 6 de novembro de 2010

São Paulo e Corinthians, Pitadinha Histórica

Sabemos muito bem que o que vale hoje, é o momento. O que importa é que neste domingo, no Morumbi, São Paulo e Corinthians vão disputar um Majestoso em clima de decisão. O Corinthians briga pelo titulo, o tricolor pelo menos por uma vaga na Libertadores, os ingredientes são os mais atraentes possíveis: ambos voltaram a jogar bem, com Ronaldo Fenômeno se reencontrando com o gol e Ricardo Oliveira fazendo as pazes com a boa forma.

Ah, tem também o futebol que cresce a cada jogo de Lucas (que já foi Marcelinho no Corinthians) ou o chute forte de Bruno César, sem contar o eterno Rogério Ceni ou esse craque de nome Jucilei. Depois conversamos mais sobre esse clássico, lembrando, apenas, que o público já está dando a sua resposta: mais de 20 mil ingressos vendidos até a noite de sexta-feira, mesmo com a limitação de compra imposta aos corintianos, que serão visitantes no domingo.

Sinto que teremos mesmo um Majestoso. E peço licença, então, para dar passagem à nostalgia, aos tempos em que não se costumava perder um clássico assim até para quem não torcia por nenhuma das duas equipes. Foi no final dos anos 50, em 1959, quando sei lá qual a razão, o Majestoso foi marcado para uma quarta-feira a tarde, no Pacaembu.

Fiz o que talvez não devesse: saí do colégio antes das duas últimas aulas e, ao lado de um amigo tricolor, fui ao Pacaembu. Não estava lotado, o horário era inadequado. E na ponta-direita do tricolor, quem estava? Simplesmente o maior artilheiro da História do Corinthians, Claudio Cristóvao Pinho, que tantas vezes derrotara o São Paulo com seus chutes venenosos.

Claudio tinha se aposentado como jogador, treinou o seu Corinthians por um ano e, como quase todo técnico, deve ter se aborrecido com alguma coisa. E assim, aos 39 anos, voltou a jogar - e logo no São Paulo. E voltou a fazer gol - e logo no Corinthians, cujo goleiro era o seu grande amigo, Gilmar dos Santos Neves. Foi o primeiro gol do tricolor, vencedor por 4 a 0 (os outros foram de Canhoteiro, Gino e Roberto), nenhum momento que superasse, porém, a curiosidade de um gol de Claudio pelo Corinthians.

Uma pitadinha histórica do Majestoso.

A Fórmula 1 é a Meca do marketing esportivo

A semana do GP Brasil de Fórmula 1 poderia ser usada pelas escolas de marketing esportivo e até mesmo por quem é entusiasta do tema como uma espécie de exemplo de como trabalhar um evento do ponto de vista da promoção. Diversas empresas usam a passagem da F1 pelo Brasil para realizar promoções e fazer aquilo que é o básico no patrocínio esportivo: a ativação da propriedade que detém.

Nesta sexta-feira, uma das ações mais legais foi feita pela Shell, que contratou atores para fazerem pitstops em carros que paravam nos semáforos da avenida Paulista, em São Paulo. É o quarto ano que essa iniciativa é realizada.

Além dela, na terça-feira, em meio ao feriado de 2 de novembro, Emerson Fittipaldi andou com sua Lotus-72 pelas ruas da cidade. Além de celebrar os 40 anos da primeira vitória num Mundial de F1, a Petrobras apoiou o evento fornecendo a gasolina para o carro andar e, também, reforçando seu patrocínio ao GP do Brasil.

Outra campanha interessante foi criada pela Lenovo em parceria com a McLaren. A empresa usou o GP brasileiro como gancho para criar uma promoção e levar torcedores para conhecerem o autódromo de Silverstone. Para concorrer, o participante deve responder a uma frase em 15 segundos, uma tentativa de associar a velocidade da F1 à do laptop da marca (veja mais aqui).

Os exemplos citados acima são alguns de diversos que acontecem na semana do evento. Em busca da justificativa de um investimento de milhões no patrocínio esportivo, as empresas fazem uso das propriedades que têm (patrocínio de equipes, pilotos, etc.) para tentar se diferenciar dos concorrentes e gravar uma mensagem na cabeça do consumidor.

Com Copa do Mundo e Jogos Olímpicos por aqui, a expectativa é a de que o Brasil consiga começar a debater e usar muito mais a ativação do patrocínio. Afinal, expor a marca no uniforme de uma equipe ou de um atleta é muito pouco perto do que pode ser feito. A empresa tem de entender que não adianta ficar limitada à verba do patrocínio. É preciso gastar um pouco mais para fazer com que ele cause efeito na mente do consumidor, que é o alvo final de uma ação dessas.

Um ótimo exemplo de como isso pode funcionar, e que não faz parte da Fórmula 1, foi dado pelo Grêmio hoje. O clube gaúcho iniciou uma parceria com a Hyundai para dar uma linha de consórcio especial a seu torcedor (leia aqui). No final, ganham todos. Que a F1 sirva de inspiração para aprendemos a pensar fora da básica exposição de marca.

domingo, 31 de outubro de 2010

O Campeonato pega Fogo. E Felipão e A Bola de Neve

O Cruzeiro igualou-se ao Fluminense em pontos ganhos com sua vitória do Grêmio, em Prudente, por 2 a 0. Perde, ainda, no saldo de gols, mas distancia-se três pontos do Corinthians o que, no entanto, faltando ainda seis rodadas e diante dos próximos jogos, não determina coisa nenhuma.



Ainda está tudo em aberto. Basta verificar os próximos jogos, por exemplo, se é que neste Campeonato daqui para a frente teremos algum jogo fácil: o Corinthians vai receber o Avaí, no Pacaembu, o que lhe dá teóricamente, a condição de favorito.



Enquanto isso, o líder Fluminense jogará contra o Inter, no Beira- Rio, o que é sempre um grande perigo, enquanto o Cruzeiro, em Minas, enfrentará o tradicionalmente difícil São Paulo.



Quer dizer: não é nada difícil que tudo se embole novamente. Assim, como no ano passado, creio, o Campeonato vai ser definido mesmo é bem perto de seu final. Talvez na última rodada.





PALMEIRAS: VITÓRIA E BOLA DE NEVE



Até que o Palmeiras venceu bem o Goiás, apesar do susto no final. O placar foi 3 a 2, mas o domínio do jogo esteve nos pés dos palmeirenses- um belíssimo gol de Tinga, o segundo de Márcio Araújo e o terceiro de Dinei contra um de Jones e outro de Everton Santos-, ah, tudo isso deu a impressão de um jogo de muitas alternativas, com muita gente se esquecendo do detalhe que quatro desses gols saíram nos últimos dez minutos.



O que não vem pegando bem e que me pareceu totalmente desnecessária é essa briga que Felipão criou com os repórteres desde a entrevista coletiva em Minas Gerais, depois do empate diante do Atlético. Como se sabe, sem ser ofendido, ao ser perguntado sobre a situação de Valdívia (e suai fibrose), pergunta mais do que natural, Felipão falou que estava sendo vítima de palhaçada dos repórteres, disse que um era “o mais palhaço de todos”, coisa e tal.



Neste sábado, em Barueri, os repórteres, que suam o dia inteiro para arrancar informações, foram ao estádio com nariz de palhaço, bem vermelho. Resultado: não houve entrevista do técnico e, pior, parte da torcida, se insurge contra a imprensa. Por quê? Não sei.



Tudo isso me parece perigoso Como uma bola de neve.

Patrocínio não é caridade

Daniele Hypólito colocou em pauta, via Twitter, uma interessante discussão para o esporte. Um dos principais nomes recentes da ginástica artística brasileira, Daniele desabafou que não consegue um patrocínio, mesmo tendo bons resultados esportivos. Tamanha desilusão fez com que a ginasta também questionasse o futuro dos atletas no país e, mais do que isso, qual o legado que os Jogos Olímpicos de 2016 deixarão ao país.

É absolutamente justo Daniele colocar o dedo na ferida e expor uma situação delicada que ela passa, mas desde que tenha sentido fazer esse desabafo. Sim, ela é uma dos maiores nomes da ginástica brasileira, tem em seu currículo muitas vitórias, excelentes resultados no passado e bom desempenho na atualidade. Mas será que ela é um bom produto para uma empresa investir?

Essa é a grande questão que tem de ficar na cabeça de quem busca o patrocínio. Por que uma empresa deve se associar a um atleta ou a um clube?

Patrocínio não pode ser encarado como caridade. Nem de um lado, nem de outro. Com a evolução do esporte como ferramenta de comunicação para as empresas, naturalmente não será mais uma ajuda que uma marca dará ao seu patrocinado, mas sim a busca de resultados que ele possa alcançar. Nesse sentido, nem sempre é o desempenho esportivo o que mais conta. Uma empresa pode buscar no esporte algum atributo que aquele atleta ou aquela modalidade traz. E isso não está atrelado necessariamente ao desempenho.

Um bom exemplo disso é a ex-tenista Anna Kournikova, uma das mais ricas do circuito sem ao menos ter vencido um torneio individual. Para as marcas, a imagem que ela representava era mais importante do que o desempenho em quadra. Da mesma forma, as gêmeas do nado sincronizado Bia e Branca Feres conseguem muito dinheiro explorando o lado sensual e a comunicação com o público jovem do que pelo que fazem nas piscinas.

Daniele Hypólito tem todo o direito de reclamar. Mas será que não falta aos atletas brasileiros ter um elaborado trabalho de valorização de sua marca, mostrando que não é só o desempenho esportivo que eles possuem um garantidor de retorno para o patrocínio?

Um dos bons reflexos de Copa do Mundo e Jogos Olímpicos no Brasil é que as empresas passarão a entender melhor como investir no esporte. Falta o atleta compreender que a fase do "paitrocínio" está próxima da extinção.